"Pode ser que sim. Pode ser que não. Não posso garantir." - in Astérix, A Volta à Gália

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13.11.08

Aos abrigos! Eles estão de volta! (tanto ponto de exclamação!)

Tremei, ó infiéis! Ao longo dos últimos meses, não recebi um único pedido para retomar a interrompida partilha d'Os Tugíadas. Essa é apenas umas das razões que me leva, ou levam, à retoma. As outras não faço ideia quais sejam. Tomem lá e não digam nada, que ainda pode ser pior.




À pequenita nunca a descobriram,
Sobre ela se abateu pesado manto; 

Enquanto as novidades se arranjaram
Chorou do peito o luso grosso pranto,
Em contraste c’os pais, que não choraram:
Mais pareciam feitos de amianto,
Ou de aço temperado na desfeita
Que fizeram... ou não, fica a suspeita.



Revive-se outro caso, doutro dia,
Daqueles Ciprianos, que afligiam,
Não pelo seu sotaque, de algarvia
Lavra, mas outrossim por que diziam.
Também da filha a mãe já não sabia,
Na pequena Joana só batiam:

“Matá-la? Não! Que horror! Por quem nos crêem? 

Se souberem notícias, que nos dêem!”

(...)

3.7.08

Yes we McCann (Tuguíadas II, 13/14)



Vieram de Inglaterra os afamados

Canídeos, grandes craques do momento,
Peritos em cheirar os já finados,
Ao refundido dão descobrimento;
Dois spaniels, quem diria, recrutados
Pelo jeito que dão no seguimento
Das pistas de quem foge e anda a monte,
E mais de quem morreu já anteonte.

Viu-se pelo caminho saneado
Um inspector Gonçalo, por castigo;
Sem se saber porquê, foi afastado
No meio do dever; levou consigo
O muito, pouco ou nada que apurado
Teria — que o poder não foi amigo:
Afastou do processo quem sabia
E aos bifes deu razão p’ra zombaria.

(...)

2.7.08

Aqui nada se prescreve, tudo se escreve (Tuguíadas II, 11/12)



Será que a moça Maddie foi raptada

Por algum meliante de tez escura?
Ou será que uma dose reforçada

Lhe deu a mãe de droga, porventura?
Para não se perder a jantarada,
Perde-se a Madeleine! Que loucura!
Mas entre as coisas raras que se ouviram
Nada de relevante descobriram.





Sabem agora os bifes que os arguidos,
Na terra onde o McCann de férias ‘tava,
Bem mais do que suspeitos, protegidos
Ficam p’la mesma lei que os acusava.
O povo, que os trazia por feridos,
Às tantas desconfia: assobiava
A Kate, por não ter por costumeiro
Que se perca da filha o paradeiro.

(...)

1.7.08

Silly season, silly me (Tuguíadas, anyone? II, 7/10)


E quando é que veremos condenados
Aqueles que, por feitos tenebrosos,
Se vão fazendo sempre tão falados?
Mil casos, mui diversos, copiosos,
Os quais as mais das vezes arquivados
Acabam, em processos pantanosos;
Equidade e justiça só desejam
Os Tugas, que entretanto já bocejam.

Se acaso vais à disco Sarabanda
E a noite, que tão calma se mostrava,
Acaba c’um qualquer de cara à banda,
Se alguém dá noutro alguém com uma clava,
A bófia vem mostrar quem é que manda
E quem não for a tempo já não cava:
Assim, com os pequenos são temidos,
C’os grandes ficam sempre adormecidos.

Deu-se o caso, que todos relataram,
Dos MacCanns que de filhos três traziam,
E enquanto c’os amigos se ajuntaram,
Comeram e beberam como queriam,
Até que finalmente repararam
Que as coisas afinal mui mal corriam,
Pois a pequena Maddie já não veio
Levada, dizem eles, pelo meio.

Terá sido descuido ou por maldade?
Procurou-se um raptor desconhecido,
Tomando cegamente por verdade
O que podia ser mui bem fingido,
Sem admitir que muita alarvidade
Vem de quem nos parece mais querido.
No alheio a culpa se buscava
Que no materno seio se encontrava?

(...)

26.2.08

Tuguíadas II, 5/6

Maltratar o planeta corresponde
A crime muito grave e sem remendo.
E aquele que o pratica vai p’ra onde,
Se o castigo dos homens não temendo
Prossegue sem saber bem para donde,
Os brutais atentados cometendo
Sabendo que jamais será catado,
E só pelo Senhor será julgado?

A terrena justiça p’ra quem erra
É motivo de grande zombaria;
Quem sofre é sempre a nossa madre Terra
E nunca quem lhe deita a lixaria.
E quando o que se impunha era dar guerra
Aos autores de tanta bizarria,
O que vemos apenas tão somente
É declarar-se tudo indiferente.

(...)

20.2.08

Tuguíadas II, 3/4 (continua o choradinho)

Haveria que ser mais cauteloso,
Trazer a Terra nossa mais cuidada,
Nunca por nunca ser ganancioso
A pontos de matar a coisa amada.
Ireis pelo caminho trabalhoso
Ou, pela via fácil, dar em nada?
A morada é de todos, estimá-la
É de todos dever, e não estragá-la.

Como viver com tanta porcaria,
Com tanto desperdício degradante?
Mas o homem, que tanta coisa cria,
Não sabe ou não quer ver mais adiante;
Faz do futuro coisa tão sombria,
Tremida, por demais inquietante;
Se não nos emendarmos só prevejo:
Os amanhãs matamos e sem pejo.

(...)

19.2.08

Ei-los de volta! (os Tuguíadas) (Canto II, 1/2)


Agora, neste tempo pós-Pauleta,
Em que tudo se vai substituindo:
O que era antigo vai para o maneta,
Do futuro os portais se vão abrindo;
Faz o teclado as vezes da caneta,
Vai-se um texto a si mesmo corrigindo…
O que as humanas gentes avançaram
Nos anos muito poucos que passaram!

Veja-se o velho mundo renovado:
De tudo o que é passado faz razia,
Por cada zingarelho que é lançado
Ficamos c’uma nova velharia;
É tanto bem tão mal desperdiçado,
Em nome de ter mais tecnologia!
Mas quando a nossa Terra sustentar-te
Não puder, que farás? Viver em Marte?

(...)

22.3.07

Tuguíadas I, 103/106 (é o fim!) (do Canto Primeiro...)


Nessa equipa, entretanto reforçada,
Gente nova e famosa refulgia,
Entre outra que ficou mais olvidada:
Rui Costa, pelo Fafe, quem diria!
Penafiel, de fraca nomeada,
O bicho Jorge Costa defendia;
Do Porto não faltava a mocidade
De azul e branco, cores da cidade:

Toni, Tulipa e Cao — trio marado!
Nelson, que do Salgueiros então era,
Capucho (Gil Vicente) e o mais dotado
Luís Figo, bandeira da cantera
De Alvalade, que tanto nos tem dado.
Rui Bento, Gil, Abel de Xaviera,
Que o Benfica inda não representara,
Paulo Torres, fortíssimo dispara!


Tó, do Famalicão, e seus amigos,
Luís Miguel, do Rio Ave o mais esperto,
João Oliveira Pinto, dos antigos
Operários do Atlético, mais perto.
Por grandes ou por graves, os castigos
Que a vida após lhes tenha descoberto,
Naquele dia a mais louca esperança
Sorriu-lhes, carregada de bonança!

Saíu por cima, enfim, o lusitano
Perfume da jogada mais corrida!
Sobre este Canto cai agora o pano
(Boas novas, ó gente aborrecida!).
Faltam nove, se não muito me engano,
Para que a versalhada concluída
Seja, assim fora eu capaz do pleno:
Acabar este feito despequeno!

(...)

Nota: Ontem, por respeito ao Dia da Poesia, decidi guardar isto para hoje e assinalar também, com ligeiro atraso, o Dia do Pai. Usei as palavras do meu, que tantas vezes tanta falta me fazem.

15.3.07

Tuguíadas I, 101/102


Um alfinete a mais já não cabendo,
São milhares co’a vida por diante,
Dando luz às bancadas, e sofrendo,
Nas entranhas, até, em cada instante,
O empate ou resultado mais horrendo.
Foi d’ouro, a geração, ou diamante
(Que corta, como vidro, a outra gente
Costumada aos triunfos, longamente)?

A glória se viveu por mais um dia:
No rubro estádio a festa começava,
Pelas ruas e praças se estendia,
P’lo continente e Ilhas se espraiava.
Do Mundo todo a taça reerguia.
A turma que Queirós bem comandava,
Duas vezes seguidas vencedora,
E a segunda na Luz, que nos adora.

(...)

9.3.07

Tuguíadas I, 99/100


A semente, regada, bem germina,
E repete o que o povo agora pede.
A mesma geração, ‘inda menina,
Na Luz a lotação agora excede:
São cento e trinta mil, ao que imagina,
Quem contar já não pode, já não mede.
Na final o Brasil a taça clama
Perante a lusa mão qu’ela reclama.


Termina sem vitória nem derrota
A contenda, aos noventa, prolongada
Por mais trinta, mas sem digna de nota
Bola nas redes bem encafuada.
Pr’ós penáltis prepara a sua bota
Quem tal carga lhe vê ser confiada.
E enquanto que o Brasil só dois metia
C’o dobro Portugal os mataria.


(...)

23.1.07

Tuguíadas I, 95/98 (de quando vinham boas novas de Riade)



Depois a Geração de Ouro, novinha,
Conquista o tal lugar, mais almejado.
A canalha, que nem vinte anos tinha,
Traz de volta o troféu mais cobiçado,
Dos reinos dessa Arábia sauditinha.
Co’a Nigéria a final, num disputado
Jogo, que saíu ganho e a contento,
Por dois e não apenas por um tento.

Tozé, o capitão, a taça amada,
Beijava e pelos outros dividia,
Da turma de Queirós bem comandada.
Ilustre gente já se distinguia,
Entre uns poucos, que nunca deram nada,
Muitos outros o Mundo aplaudiria:
Brassard, que na baliza se postava,
E o Peixe, que de todos destacava,


Dois Coutos, igualmente, mas não manos,
Hélio, Folha, Bizarro, gente rara,
João Vieira Pinto, em verdes anos,
No grande Paulo Sousa não repara
Só quem nos olhos tem mui graves danos,
Valido e mais Filipe, (a quem lembrara?)
Dois Paulos, o Madeira (quem diria?)
Mais o Alves, Abel Silva (pontaria

Não lhe faltou no crítico momento!),
Morgado e mais Resende e não findou
Sem Amaral, o tal assentamento
De quem a taça d’oiro conquistou.
Nunca jamais, apenas c’o argento
O povo, após tal feito, se bastou.
A fasquia, que dantes entravava,
Agora mais que nunca nos chamava.


(...)

7.11.06

Tuguíadas I, 92/94 (Inclui Euro84 e Mundial86, tudo grátis)


Segue-se um par de décadas vazadas
De resultado algum que se comente,
Nas quais as lusas turmas encavadas
Se viam sempre mais que certamente,
Com algumas façanhas desgarradas
Mas sobre fundo escuro, deprimente.
Deixa de ser das quinas mais amiga
A gente a quem o jogo mais castiga.

Lá chega finalmente a tão esperada,
A tal, sempre adiada, a tal proeza,
De se ver outra vez qualificada
Numa final a turma portuguesa.
Deu-se na Eurocopa disputada
Nos terrenos da gente que é gaulesa.
Teríamos, quiçá, feito mais dano
Não fora Platini, grande magano!

Um par de anos apenas decorrido,
E estamos instalados numa terra
Cujo nome jamais será esquecido:
Saltillo, esse sinónimo de guerra.
Tudo o que mal podia ter corrido,
Correu, e fez ficar então na berra
A nossa equipa, não porque ganhava,
Mas sim porque por tudo refilava.

(...)

11.10.06

Tuguíadas I, 90/91


Logo aos trinta a baliza portuguesa
Abana, quando Charlton arremata;
Aos oitenta, de novo sem defesa
O Bobby chuta e quase o jogo mata;
Oitenta e dois: penálti! Com destreza
Reduz Eusébio, puto da cubata;
Tarde de mais, morria a ousadia,
No fim era o bretão quem mais se ria.

Resumindo: a Rússia derrotando
No derradeiro jogo, bem jogado,
Eusébio, Torres, dois golos marcando,
Malofeiev também, pelo seu lado,
Oitenta e sete mil presenciando
O luso, enfim, c’o bronze medalhado.
Da final o relato já não faço,
Que não merece o tempo nem o espaço.

(...)

27.9.06

Tuguíadas I, 88/89 (Ei-los de volta, ó desinfelizes)


Passa assim Portugal mais adiante
Na mira dessa copa desejada,
Sempre com grande fé no centro-avante
Que traz a malta toda deslumbrada
Co’a arte do pontapé, do mais pujante.
E vem aquela história mal contada:
Antes de defrontar a Inglaterra
‘Inda há que se apanhar o pouca-terra;

Para quem joga em casa tudo canta
E que se lixe a brava tugaria.
Chegada a Wembley já não se agiganta
Mais a rubra camisa que vestia
Esse homem qu’inda hoje nos encanta:
Eusébio, tanta falta nos fazia,
A falta que nos faz sentir o gozo
Nestes tempos de jogo tão merdoso!

(...)

7.6.06

Não, o Desinfeliz não acabou de vez. À laia de prova de vida, ou de prova de esforço, eis Tuguíadas I, 87


Vem depois a contenda mais famosa,
O tal jogo em que entrámos enfardando
Três secos da turminha mais merdosa,
Mas que quase nos ia eliminando:
Foi por pouco que não levámos tosa,
Não fora o nosso Eusébio, que marcando
O primeiro e o segundo, ‘inda o terceiro
E o quarto, só deixando o derradeiro.

(...)

19.5.06

Tuguíadas I, 85/86


Simões ao quarto d’hora já não erra,
Faz miséria ao goleiro do adversário,
O Manga, natural daquela terra
Da Vera Cruz chamada, onde Romário
Viria a ser o craque mais na berra;
Eusébio aos vinte e sete num armário
Daqueles com gaveta introduzia
O golaço que zero-dois fazia;

Aos setenta vem Rildo lá da praia
Marcar para evitar a cabazada,
Mas Eusébio não deixa que se saia
O escrete canarinho sem mais nada:
Vão três p’rá sobremesa, sericaia,
A cereja no bolo colocada;
Noventa! Portugal entra em festaça,
No Brasil, por seu lado, uma desgraça!

(...)

Tuguíadas I, 83/84


Coluna, o capitão — moçambicano
De nascença —, não há quem não comande:
De Vicente, Morais, Simões, Germano,
A Zé Augusto, Hilário, Torres grande,
Do Pantera, seu negro conterrano,
Ao Pereira, que faz que não desande
Da branca linha a bola mais avante,
Para que a outra cor não se adiante;

Nomear Jaime Graça ‘inda faltava,
Nem Baptista devia ser esquecido,
E outro mais que no banco se sentava,
Américo, Carvalho, Cruz sabido,
Lourenço, Ernesto e Peres, que lutava
Pelo leão, seu clube preferido
Manel Duarte e Festa, mais somente
José Carlos, Custódio: toda a gente!

(...)

16.5.06

Tuguíadas I, 80/82


Melhor não se teria começado,
Entrando a ganhar logo desde cedo,
Ao contrário do grego defrontado
Na final daquele insólito arremedo
Do feio futebol de resultado,
Que do infame Scolari leva o dedo,
Na prova que, por nós organizada,
Terminou com helénica risada.

De entrada começaram a preceito
Os que de Luz Afonso simplesmente
Seleccionados foram por seu jeito
E a quem o Glória deu, tão sabiamente,
Do treinamento o mais alto conceito;
E assim foi que, por três a um somente,
Lá se foram os húngaros, vencidos
Pelos Magriços lusos destemidos.

Passados mais três dias se jogou,
Agora co’a Bulgária, país velho
E que bastantes vezes se equipou
Co’s nossos tons de verde e de vermelho:
Mais três também o búlgaro levou,
Sem conseguir marcar nem um chavelho.
Mas, logo de seguida, aquele impasse,
Pois ao Brasil nos coube que enfrentasse.

(...)

12.5.06

Tuguíadas I, 77/79


Ao turco, e mais ao checo, e ao romano
(Aqui um ‘a’ por ‘e’ se intrometeu:
Era romeno e não italiano,
Mas por via da rima jeito deu!)
A nossa rubra gente lhes fez dano
Um jogo empatou só, mais um perdeu,
E foi para a Bretanha, p’ró temido
Reduto desse bife humedecido.

Chegou treze de Julho, às tantas horas,
Tantas quantas se tinham acordadas,
D’Old Trafford as bancadas colhedoras
Pouco menos estão do que apinhadas;
Enfrentam-se as equipas jogadoras
Para o jogo primeiro sorteadas:
Os bravos magiares, que encantavam
Aqueles que de bola mais gostavam,

E Portugal, então desconhecido,
O pequeno David entre portentos,
Mas que leva consigo o mais temido
Eusébio, que em seis jogos nove tentos
Logrou marcar, sem mais ter conseguido
Por ter sido roubado p’los nojentos
Sistemas, que se nunca se acabarem
Tudo hão-de fazer p’ra nos roubarem.

(...)

9.5.06

Tuguíadas I, 75/76


Do treinador havia quem dissesse
Que era temido mais que um bacamarte,
Era sempre a atacar, por que metesse
Muitos golos a mais que à outra parte,
Otto Glória — outro nome, se tivesse,
Seria conhecido, mas sem arte;
Foi pentacampeão do lusitano
Torneio do desporto mais mundano.

Com seis taças também galardoado,
O grande carioca justamente
Foi, por ter com sucesso orientado
Os três famosos clubes, o tridente:
O verde e branco, o azul e o encarnado,
Pendões da capital da lusa gente,
Que vive cá na praia onde se deita
O sol, que a velha Europa mal espreita.

(...)