"Pode ser que sim. Pode ser que não. Não posso garantir." - in Astérix, A Volta à Gália

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8.2.09

Blogue temporariamente activo

Temporariamente suspenso, é como isto tem estado. Sine die, como soi dizer-se. Nada que não aconteça de vez em quando, até mesmo aos melhores e quanto mais a desinfelizes destes. Mas, nem que seja temporariamente, eis que se suspende a suspensão.

E para quê, perguntar-se-á o cliente habitual, já habituado a vir aqui e não ver nada de novo, quiçá num derradeiro descargo de consciência antes de apagar definitivamente o bookmark. Perguntar-se-á muitíssimo bem, esse cliente habitual, pois nem eu próprio saberia o que lhe responder há exactamente um minuto atrás.

Agora já estou em posição de avançar o pretexto para a suspensão da suspensão (digo o pretexto porque estou convencido que a verdadeira razão para a suspensão da suspensão será a própria suspensão da suspensão, fazer prova de vida, uma pessoa afeiçoa-se aos blogues, e não é só aos dos outros). Mas, passado o interlúdio pseudoanalítico, cá vai o pretexto: fui ver o Benjamin Button.

É verdade. Fui ver o Benjamin Button. E não é que gostei? Não detectei aquele fenómeno relatado por outras testemeunhas oculares, e que é perfeitamente compreensível, de a sala se encher de mulherio após o intervalo. Na minha sessão (chame-se-lhe imodéstia, mas é assim que penso nas sessões a que assisto) não se verificou esse afluxo. Diria, a quem ainda não tenha visto o filme e pense fazê-lo para ver o Brad Pitt em estado novo, que já agora aproveite e veja também a primeira parte. Não paga mais por isso e, no meu desentendimento, ainda beneficia da oportunidade de ver um excelente filme de fio a pavio.

É verdade. Um excelente filme. Não me vou pôr a dizer mais, até porque já disse duas vezes (agora será a terceira) que é um excelente filme, e até porque a internet do tal eventual cliente habitual será certamente capaz de lhe fornecer bastantes e diversos resumos, críticas e outras opiniões que tais, mas sempre acrescento que, para além do Brad Pitt, vale a pena ver a Cate Blanchett, vale a pena tentar pronunciar o nome do neguinho que faz de Mr. Weathers, vale a pena reparar em pormenores como a formação dos logotipos da produtora e da distribuidora (coisa que o mulherio da segunda parte nunca viu), ou como as lentes dos óculos de Benjamin, num plano ou outro, devidamente sujas como só nós, os caixas-de-óculos, sabemos.

Para não abusar dos adjectivos e para não repetir o excelente pela quinta vez, fico-me pelo proverbial gostei. E agora vou ali e, quiçá, já venho.

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13.1.09

Blogue sem nada para dizer

(como de costume) e sem muito tempo para inventar (o que já não é tão habitual).

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31.12.08


Passado o Merry Christmas, contraída, chocada e praticamente utltrapassada uma porcaria de uma gripe, eis então chegado o momento do prometido Pippin New Year.

2009 não vai ser fácil, está mais que visto. Mas já terá havido algum ano fácil, nesses 2009 e nos outros todos antes? No que me toca, vai ser o ano em que vou acabar de ler a Viagem do Elefante, desse outro josé, o saramago, que agora lhe deu para escrever os nomes assim, em minúsculas, vá-se lá saber por e para quê. À parte disso, estou a gostar bastante da Viagem. Algo abaixo do Memorial, do Ano da Morte, do Evangelho, do Ensaio sobre a Cegueira (e quantos escritores terão sequer quatro romances desse gabarito, pergunto eu), mas claramente acima do Homem Duplicado, do Ensaio sobre a Lucidez, das Intermitências da Morte e da Jangada de Pedra.

Outro que vou acabar de ler em 2009, se me conseguir conter nas últimas horas do dia, é este:

Não há adjectivos abaixo de colossal que se apliquem. É quase inevitável que numa próxima visita a este estabelecimento o/a estimado/a cliente venha a encontrar excertos da obra.

Quanto à Guerra de Gaza, não me ocorre nada que não seja desejar a todos os Palestinianos (todos os que habitam a Palestina, em sentido verdadeiramente lato, englobando os israelitas) que sobrevivam também a 2009 e que de alguma forma comecem a viver. Quanto às propostas de tréguas à francesa, em que Israel fica totalmente concentrado na tarefa de levar com os rockets do Hamas, é melhor mesmo nem dizer nada.

Shalom everybody.
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23.12.08

2008, annus terribilis?

Dizem que 2009 vai ser do piorio, mas o ano ainda em curso também não há-de ter sido grande coisa. Só isso pode explicar uma nomeação destas. No ano em que Marx voltou às conversas de toda a gente, apetece dizer que não se volta a frequentar um blog que nos aceita como somos. Mas acho que não sou capaz.

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José, o Padrinho


Uma colega, que por sinal é também minha xará, adoptou recentemente um ursinho de peluche. Quando lhe perguntei como se chamava o pequeno, disse-me que ainda andava de volta desse assunto. Percebeu certamente a minha desaprovação perante tamanha incúria, pois não tardou a convidar-me para padrinho.

Sugeri que fosse Aloísio, naturalmente. A minha homónima gostou muito do nome e o próprio urso não se opôs. Pareceu-me até aliviado, talvez por já se terem sugerido nomes totalmente impróprios para um peluche respeitável.

Creio que José, a Colega, não costuma vir aqui ao Desinfeliz, mas por via das dúvidas não vou dizer o que penso oferecer ao meu afilhado no Natal. O Aloísio era bem capaz de lhe arrancar o segredo e a última coisa que se pretende é dar a um peluche a ideia de que as coisas são como ele quer.

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10.12.08

Publicidade desenganosa


Primeiro foi o Banco Best, com a conta McCain/Obama. Agora é o Finibanco, com o Depósito a Prazo Vencedores da Liga Sagres 2008. Taxa de juro até 11% para quem acerte nos quatro primeiros classificados (creio que por ordem, senão a coisa perde a emoção). A publicidade avança com uma paráfrase de João Pinto (o Primeiro): Prognósticos, só no Finibanco.

Não sei se as casas de apostas estabelecidas já apresentaram algum protesto por esta concorrência desleal, não sei se o Constâncio, no meio dos seus novos afazeres com o Banco Privado e com as comissões de inquérito, terá tempo para dar alguma atenção a estas trivialidades, não sei sequer se mais alguém está para se ralar com mais esta naifada na imagem e no conteúdo da desejável credibilidade da banca, mas a mim estas coisas preocupam-me. Sou assim.

E mais: o Finibanco aceitará apostas (perdão, depósitos) de pessoas cuja actuação pode ter efeitos directos na classificação da Liga Sagres 2008? Por exemplo: se o Bruno Paixão, o Pedro Proença, o Lucílio Baptista e o Olegário Benquerença chegarem a um balcão do Finibanco e disserem que querem abrir uma conta conjunta, o bancário de serviço limita-se a abrir a dita conta ou liga discretamente para a Maria José Morgado e para o 24 Horas? Se o Hermínio Loureiro constituir o seu depósito, será possível eu saber em quem é que ele apostou? Não é para copiar, é só para saber. E se o Leixões for campeão e o Febolquelupârto ficar em quinto ou pior, haverá uma taxa extra de 42%?

Aqui há uns tempos, o Finibanco assinava a sua comunicação publicitária não com uma frase, como alguns bancos menos ambiciosos, mas com duas: Em privado, porque você é único. Não sei se a assinatura se mantém, mas tudo me leva a crer que os apostadores (perdão, os depositantes) podem contar com uma boa dose de sigilo nos seus prognósticos. O que é pena, porque seria uma excelente oportunidade para saber, ao certo, se os adeptos do Zbordn apostam maioritariamente as suas poupanças no Zbordn ou no Febolquelupârto.

Outro caso de publicidade desenganosa (no sentido de ainda mais transparente do que se poderia exigir) é o dos cartazes do Bloco de Esquerda que dizem assim: O Governo ajuda os banqueiros. E quem ajuda as pessoas?. Calculo o que seria o chinfrim se uma coligação PNR/Manuela Ferreira Leite pespegasse no Marquês de Pombal o seguinte: O Governo dá emprego aos ucranianos e aos cabo-verdianos. E quem dá emprego às pessoas?

O meu prognóstico é que o Bloco de Esquerda, como sempre, ficará isento de responsabilidades pelos seus actos e, mesmo sem chegar aos 11%, terá um excelente resultado quando o povo depositar os votos. Pelo seu lado, o Finibanco pode bem ser um dos próximos temas do Expresso da Meia Noite ou do Prós e Contras, mas por via da massa que o Estado lá venha a meter, e não pelos níveis de criatividade nos terrenos do marketing e da publicidade.
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10.11.08

Abatut ou valetut?


Vem o que se segue a propósito dos recentes percalços na banca e restante sistema financeiro. Vem muito particularmente a propósito do percalço BPN.

Aqui há tempo, referi aqui um livro chamado A Catedral do Mar. A acção passa-se em Barcelona, em tempos medievais, e lá pelo meio há referências históricas muito interessantes ao sistema de regulação das actividades financeiras. Daí o ter-me ocorrido.

Sem querer enquadrar demasiado (isto é, sem chegar ao ponto Weber e à influência da ética protestante no espírito capitalista), há que pelo menos referir que a cristandade da altura não via o juro com bons olhos. As actividades de agiotagem, financiamento, seguros e quejandas eram interditas ou desaconselhadas a cristãos. E eram muito reguladas.

Em Barcelona, no tal exemplo que me chegou via Catedral do Mar, havia um código penal bastante penalizador das aventuras e dos incumprimentos. Um tipo com loja (de dinheiro) aberta que por algum motivo deixasse de assegurar o cumprimento das suas obrigações era considerado abatut. Esta figura jurídica não deveria andar longe daquilo a que chamamos falência e resultava directamente da incapacidade de respeitar determinados rácios de solvabilidade. Uma vez constatada a situação de abatut, o financeiro em causa tinha um período de tempo (não muito extenso) para regularizar as suas contas. A parte final desse período de tempo era passada já na condição de engaiolado. Findo o tal prazo, se o abatut se mantivesse, o sujeito era decapitado.

Descontada a brutalidade da época, compreende-se a intenção de manter sãs as operações financeiras. É que o dinheiro já na altura tinha a mania de não cair do céu. Então como agora, em Barcelona como cá ou em qualquer parte, quando alguém decide ficar com muito mais do que tinha, há uma tendência fortíssima para que outrém fique com muito menos.

Parece-me muito bem que, no século XXI, já não cheguemos ao ponto da decapitação. Mas não me parece nada bem que, cá pelos nossos lados, se tenha evoluído para um sistema de impunidade total. As leis da física monetária não se alteraram — ele continua a não cair do céu, continua a não nascer do chão e continua a fazer falta a todos. Por isso, não há razão para que os códigos e as práticas penais não continuem a punir todas as formas de apropriação indevida, comummente conhecida por roubo. Mas, se há coisa de que podemos estar certos, é que nada vai acontecer e os negócios de Portugal (os do dinheiro e os da justiça) continuarão como de costume. Ou seja, mal.

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Obrigado ao L. Rodrigues, que me indicou a via para a reapropriação do tão necessário mini-caixotinho.
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5.11.08

Palavras de honra e substância

O L. Rodrigues chamou-me a atenção para o que perdi esta noite, nos momentos em que estive desacordado. Como acontece frequentemente, ele (o L. Rodrigues) tinha razão. O discurso de John McCain, aqui muito bem resumido e comentado, não é para se perder.

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Yes yes yes!


Yes they could
Yes we care
Yes we.

4.11.08

TVGuia para esta noite

Com a preciosa colaboração do Dallas Morning News, aqui vai um guião para a noite eleitoral. Os resultados que interessam, para quê e a que horas (de Lisboa).

19.45

• À laia de aperitivo para o tão aguardado embate Republicanos Vs Democratas, a RTP1 serve o Monárquicos da Churrasqueira Vs Plutocratas do Kalmius.

23.30

• Interrompa o Trio d'Ataque para ver os primeiros resultados do Indiana, Ohio e Virginia. Bons indicadores para ver se há sucesso de Obama em estados tradicionalmente republicanos.

• Obama ganhou a Virginia? Então pode começar a chamar os Urbanos para a mudança para a Casa Branca. Se houver equilíbrio no Ohio e Indiana, há que fazer fé nas zonas predominantemente negras de Cleveland e Gary (mais populosas, devem levar mais tempo a sair; esqueça o Trio d'Ataque). Se Obama ganhar estes três estados podemos começar a dizer mal dele, na sua nova qualidade de Presidente dos EUA.

• Para os verdadeiros junkies, há a eleição para o Senado no Kentucky. Uma derrota aqui pode ser o prenúncio de uma noite de Halloween aprés la lettre para a elefantaria republicana.

00.00

• McCain fez bem ou fez mal em gastar tanto como gastou (em dinheiro e em tempo) na Pensilvânia? É o que vamos saber ao soar das doze badaladas. Outra coisa que se poderá detectar é o famoso efeito Bradley — se as sondagens puxaram Obama para cima, a Pensilvânia seria um bom sítio para o recambiar para baixo.

• Pista importante: quanto tempo é que as CNNs da vida levam a arriscar um prognóstico? Quanto mais tempo levar, mais hipóteses para McCain. A CBS promete uma projecção do vencedor para as 23.00 se os resultados o permitirem (leia-se se a sova for das grandes).

• Como ficou visto em 2000, não é de esperar resultados rápidos na Florida. O estado é pão para a boca de McCain, enquanto para Obama seria a cereja no cimo do muffin.

• Olho no Missouri, que é visto como um dos estados que podem cair para o lado de McCain. Também serve de barómetro à receptividade do eleitorado mais rural a um presidente Barack Hussein Obama (o mesmo vale para a Pensilvânia e Ohio).

• Se a política interna texana o fascina, não perca a corrida a xerife do condado de Dallas (Valdez, o detentor do título, no canto azul, contra Cannaday, no canto vermelho).

00.30

• A Carolina do Norte fecha as urnas. Aqui está um belo indicador para se ter uma ideia do quão longa se tornará a espera dos democratas até poder deitar os foguetes. Uma vitória de Obama é quase sinónimo de bye-bye McCain. Na eleição para o Senado, uma vitória de Kay Hagan (à custa da actual Senadora Elizabeth Dole) pode ser o prenúncio de uma jornada muito lucrativa para toda a turminha do burro.

01.00

• Se McCain ainda não tiver ido ao tapete, o Colorado torna-se muito importante. Um bom resultado negaria todas as sondagens mais recentes e as multidões que foram engrossando a Obamania.

• Juntamente com o Novo México e o Minnesota, o Colorado pode ajudar a definir se os democratas alcançam uma maioria das antigas no Senado.

• No Vermelhistão profundo que é o Texas, a única coisa a observar serão eventuais sinais de baixa de popularidade dos republicanos (coisas da eleição estadual e da Câmara dos Representantes). O McCain perder aqui é o mesmo que o Alberto João perder na Madeira.

02.00

• O Nevada é mais um dos tais estados que tanto pode dar um novo fôlego a McCain como dar mais uma orelha a Obama.

• O Montana, onde as sondagens deram uma surpreendente aproximação de Obama, é outro bom indicador sobre a noite republicana: dá para sonhar ou é pesadelo certo?

03.00

• California über alles. Com os seus 55 votos no Colégio Eleitoral, pode ser o sinal para largar a rolha do champanhe azul. Mas porém no entanto e contudo, se houver muito equilíbrio noutros estados e/ou trapalhada com os escrutínios, nem a Califórnia chega para arrumar a questão.

03.00

• Para quem não esteja demasiado absorvido nos referendos locais ou na eleição do reitor da escola, é uma boa altura para ver o que se passou na Liga dos Campeões (ou até mesmo para ir dormir, sabe-se lá).

04.00

• Se a corrida ainda não acabou a esta hora é dar os parabéns a McCain pela combatividade, uma última olhadela ao Abrupto e retirar airosamente para Lennsoll Valley.

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31.10.08

A facilidade matou o Rabin


Este moço (o do meio, o que não está fardado) é Yigal Amir, o extremista (de direita) que matou o primeiro-ministro Isaac Rabin (em 1995, se bem se lembram). Está preso, que é o que acontece a certas pessoas em certos países quando são apanhadas depois de terem feito certas coisas... mas não é isso que interessa agora. O que interessa é que está preso.

Estando preso, o jovem Amir deu uma entrevista via telefone a dois canais de televisão israelitas, na qual explica de onde lhe veio a ideia de matar Rabin. E a história é tão só uma variante da celebérrima ocasião que faz o ladrão.

Amir conta que foi a um casamento onde se encontrava também Rabin. Não pôde evitar reparar que o primeiro-ministro se fazia acompanhar de um único guarda-costas. "Se lhe apertasse a mão podia facilmente dar-lhe um tiro, se quisesse. Eu tinha uma arma comigo. Vi que era tão fácil e disse a mim próprio que passados uns anos me ia arrepender de não o ter matado".

Esta terá sido, então, a inspiração para o acto que veio a cometer pouco tempo depois. Se é tão fácil, por que não? Quanto às motivações mais profundas, os por que sins: à pergunta sobre quem o influenciou na decisão de assassinar Rabin, Amir responde "todos os que entendem as coisas militares. Todos os peritos militares disseram que os Acordos de Oslo foram um desastre". E pronto. Está explicado.

Entre os muitos que se mostraram chocados com a entrevista (a família de Rabin, por exemplo) encontram-se os Serviços Prisionais de Israel. É que Amir não tinha autorização para dar entrevista nenhuma. Ao contrário do que se passava há uns tempos, as chamadas de Amir não estavam a ser 'monitorizadas' (escutadas, portanto) e a entrevista surpreendeu fortemente os responsáveis dos ditos serviços.

Para além da facilidade no uso da pistola, Amir demonstra também ser exímio no manejo do telefone. No passado mês de Agosto, utilizou o telefone da prisão (o mais fixo dos fixos, diria eu) para dirigir ameaças a um vizinho da Sra Amir, no contexto de um desentendimento sobre canos furados.

Quem também se encontra aos cuidados dos referidos serviços prisionais é Hagai Amir, irmão de Yigal. Menos eficaz que Yigal, talvez mais dado às coisas do espírito, Hagai está dentro por mera conspiração para cometer assassínio. E consta que foi levado a sério quando confidenciou a alguns guardas que lhe bastava fazer uma chamada para mandar o primeiro-ministro pelos ares.

Nessa altura, Hagai perdeu aquilo a que se chama os privilégios de telefone. Agora, a mesma medida foi aplicada a Yigal. Um dos canais já anunciou que não vai transmitir a programada segunda parte da entrevista, enquanto o outro mantém a intenção de a divulgar.

Moral da história? Convenhamos que não há.

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21.10.08

Nós e os outros

First they came for the Communists but I was not a Communist so I did not speak out;
Then they came for the Socialists and the Trade Unionists but I was not one of them, so I did not speak out;
Then they came for the Jews but I was not Jewish so I did not speak out.
And when they came for me, there was no one left to speak out for me.


Martin Niemoller, 1892-1984

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14.10.08

Injecção de pesporrência


Alguém, sem ser este desinfeliz, viu ontem o Prós e Contras? Pois.

De José, o Manuel, não vou falar. Não me apetece. E mesmo que me apetecesse não haveria nada para dizer.

Já os quatro cavaleiros da banca, ali juntinhos, têm que se lhes diga. Claro que não é a Fátima Campos Ferreira que os vai pôr a dizer seja o que for que não lhes apeteça (se bem que o Ulrich esteve lá quase, tamanha era a carga de nervos que a mulher lhe estava a meter; e como eu o compreendo). A postura de Estado, quando não é de enfado, sai-lhes quase com naturalidade. Vamos lá, os quatro, e só com a Nossa Presença vamos dar ao povo um Sinal. Sinal de quê? Da Nossa Presença. Muito bem, malta, é isso. Vamos lá. E lá foram.

Ao contrário de todas e de cada uma das emissões anteriores do Prós e Contras, nesta não se ouviam sequer as moscas na plateia. O realizador de vez em quando mostrava que sim, que havia gente ali, mas não era a maralha do costume. Era gente séria, respeitável e, acima de tudo, respeitadora. Duvido que tenha sido preciso pôr aquela tropa a assinar algum papelinho. Um erguer de sobrancelha e um dilatar de pupila por parte de uma qualquer daquelas eminências seria mais que suficiente para os reduzir a todos ao silêncio.

A Presença dos quatro potentados, amplamente apregoada em todos os canais da RTP, era o que o programa tinha para oferecer. Alguém esperava, sinceramente, que a solenidade e a gravidade da Presença fosse perturbada por gente a fazer perguntas ou a contrapor opiniões? É possível que isso até tenha passado na cabeça de algum elemento mais contumaz da produção. Tenho a nítida sensação de ter visto, entre os escudeiros e lacaios dos quatro potentados, um ou outro director de publicação da área económica. Talvez esses tenham sido obrigados a assinar o papelinho. Ou não. Não posso garantir.

Seja como for, a cerimónia decorreu sem quaisquer imprevistos. A liturgia perfeita. Fátima Campos Ferreira, imune às evidências, consegue convencer-se a si própria de que está a desempenhar o seu papel de espremer até sair sumo. Com isso, consegue provavelmente convencer também uma boa parte da audiência. Pelos vistos as pessoas gostam que as pessoas as convençam de coisas, desde que fique bem claro que elas, as pessoas, não estão lá muito convencidas de coisa nenhuma.

Em termos de pesporrência pura, não houve rival para Santos Ferreira. O homus millennium é assim ou é o Santos Ferreira que é assim? Um pouquinho de cada, provavelmente. Mas numa altura destas? Numa cerimónia daquelas? Não tenho dúvidas de que, em querendo, o Ulrich, o Salgado, mesmo o Faria, serão perfeitamente capazes de produzir níveis invejáveis de pesporrência. Mas ontem acharam, e bem, que os tempos e a cerimónia pediam outra postura.

Resta saber o que é que se passou para o Santos Ferreira ficar tão isolado na sua demonstração de pesporrência. Será por ganhar mais que os outros? Será por ganhar menos que os outros? Será que tiraram todos à sorte e calhou-lhe a ele fazer aquela figura, para dar um pouco mais de credibilidade ao programa? É que a credulidade do povo também há-de ter os seus limites, e estes provavelmente não incluem quatro potentados da banca aparecerem no mesmo dia e à mesma hora sem sinais ostensivos de pesporrência. Ou será uma manobra concertada da restante banca contra o BCP? Há que estar atento.

Mais incómoda ainda do que a pesporrência é a sabujice, quanto mais não seja porque aquela se alimenta desta. Sabujice da RTP, que impinge aquela Presença sob a capa do Prós e Contras (Conversa em Famílias talvez fosse uma designação mais apropriada para aquele formato). Sabujice da maralha-premium que se presta àquele papel de ir encher a plateia sem levantar um dedinho que seja (a não ser, eventualmente, para tirar algum macaco do nariz). Sabujice das audiências, que não dão mostras de se incomodar com estas coisas.

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13.10.08

A minha contribuição para Santa Pristina

No meio dos biliões todos de que tanto se tem falado nos últimos dias, houve 120 milhõezitos que passaram despercebidos. Reunidos algures, os responsáveis europeus por estas coisas decidiram que o Kosovo não ia lá só com o reconhecimento de Portugal. Não. O Kosovo irá muito melhor com 120 milhões de euros de 'ajuda comunitária'.

Desses 120 milhões, quanto é que será a minha parte? Se se dividisse à moda do Porto, pelos 495 milhões dos 27, daria €0,242424 por cabeça. Vinte e quatro cêntimos e pico. Cinquenta paus, vá. Provavelmente será um pouco mais, porque não acredito que os espanhóis, os cipriotas e os outros irresponsáveis todos que ainda não reconheceram o Kosovo também entrem na vaquinha. Aí os meus cinquenta mil réis subiriam para setenta ou oitenta. Claro que também se pode dar o caso de os alemães entrarem com mais do que a parte deles (espero bem que neste caso isso aconteça), o que poderia levar a minha contribuição novamente para os cinquenta paus.

Seja lá quanto for, acho mal. Acho mesmo muito mal. Mal por mal, prefiro doar os meus cinquenta paus a um banco qualquer em apuros do que ao Kosovo.

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9.10.08

Bestandwin


Ontem vi isto nas notícias e não acreditei. Impossível.

Depois lembrei-me: espera aí, eu conheço este sujeito (o vendedor do produto, que aparecia todo contente a explicar tudo). É menino para isto. O impossível passou a não querem lá ver.

Mas então e a entidade reguladora? O Banco de Portugal, numa altura destas, não ia permitir uma coisa destas. Enfim. Quer dizer. Pois. Vieram-me à memória todos os últimos exemplos da actuação (chamemos-lhe assim) do Constâncio. Aí o não querem lá ver virou foda-se, isto é verdade.

Há pessoas que não entendem bem as coisas se ninguém lhas explicar, de preferência com ilustrações, gestos e demonstrações práticas. Tem sido, historicamente, o caso dos defenestrados, dos guilhotinados e dos romanovisados. Quando a populaça atinge um ponto qualquer de saturação, dão-se todo o tipo de incidentes desagradáveis e sangrentos, reprováveis, é certo, mas que têm pelo menos o condão de ninguém mais poder dizer que não está a perceber o que se passa.

Veja-se o caso da wrap party dos moços da AIG. Um beberete de 440 mil dólares, uma semana depois dos 80 biliões do bail out. Se um dos empregados do resort, chamado a servir aquela rapaziada e perturbado por ter a sua reforma e poupanças entregues à AIG, desse mau uso a alguma faca da cozinha, por exemplo, de quem seria a responsabilidade?

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7.10.08

Noé ou Noddy?

Peço muitas desculpas não sei bem a quem, mas vou ter de fustigar um spot de rádio*. Já não o faço há muito tempo e este tem-me andado atravessado.

Não, não é aquele da ExpoCasa ou lá o que é, que agora até foi promovido à TV, que diz que "tem coisas giras". Não é esse. É um do Jornal de Notícias (a não ser que seja do Diário do Notícias) (ou do Primeiro de Janeiro), que se destina a divulgar uma colecção de histórias bíblicas destinadas às crianças.

O spot segue o tradicional esquema das duas partes (a que também poderíamos chamar o esquema azeite e vinagre). A primeira parte é publicitária, a segunda é informativa e as duas não se misturam. É um esquema que muitas vezes acaba por ser o único possível, por muitas razões (razões em que, para gáudio geral, me vou abster de entrar).

Antes de a desancar um pouco, faça-se à primeira parte do spot a justiça que merece. Cumpre, no mínimo, o papel de chamar a atenção, se não nunca me lembraria daquilo e não poderia agora passar à zurzidela.

O caso não anda longe de um outro que tive oportunidade de escarafunchar aqui. Diga-se desde já que o Jornal Diário de Janeiro não vai tão longe na estupidez como a SalesForForceFourSearch. Aliás, para um ouvinte medianamente desatento e menos picuinhas do que eu, provavelmente até estará bem conseguido. Diga-se também, já agora, como é o spot: a segunda parte, a do azeite informativo, é a que permite recordar nitidamente que o anunciante é o Jornal Diário de Janeiro (a menos que seja o Comércio do Porto ou o Correio da Manhã) e que o anunciado é a colecção de histórias tiradas da Bíblia para dar às criancinhas.

A primeira parte, a do vinagre publicitário, consiste naquilo que se deduz ser o início da história da Arca de Noé, contada por uma voz feminina, doce e maternal como se impõe nas circunstâncias. O que ouvimos da história é qualquer coisa como: "Era uma vez um senhor chamado Noé que adorava animais". Para o tal ouvinte desatento, tudo bem (presumo eu). Para um desinfeliz como eu, incapaz de se ficar apenas pela forma e abstrair do conteúdo, estamos mal.

Ao contrário do caso da SalesForForceFourSearch, aqui o universo bíblico faz sentido. Não é forçado nem é opção, é o próprio produto. E esse é que é o meu problema. Talvez por acaso, talvez por ignorância, talvez por uma conjugação dos dois factores, o certo é que "adorar animais" era das piores coisas que podiam acontecer na história do Noé. O clímax da história é o Dilúvio, um cataclismo desencadeado por um deus que à época se mostrava particularmente empenhado em afirmar-se como O Deus, não como um mas como o único. Quem leia o Génesis na versão não adaptada às criancinhas do século XXI percebe que a concorrência era numerosa e variada. Entre divindades de todo o tipo e feitio, havia uma propensão para adorar animais que irritava solenemente o Senhor. Foi por essas e por outras, justamente, que Deus decidiu partir para o genocídio.

Não sei se esta versão infantil retrata o clímax da história de outra forma, mas o Dilúvio do Génesis não foi o produto de umas alterações climáticas nem uma tempestade tropical de intensidade inusitada. Foi uma demonstração inequívoca e brutal do poder divino, com o intuito original de extinguir a raça humana. Só à última da hora é que Deus decide salvar alguém e escolhe um tipo qualquer que não ande a adorar os animais nem outros pretensos deuses. O escolhido é Noé, claro. Este, por sua vez, limita-se a fazer o que o Senhor lhe manda. A história não é "ai coitadinhos dos animais que vão morrer todos, que desgraça, já sei, vou fazer uma Arca e salvá-los — pensou o Noé". A história é "escuta bem, Noé, que eu não vou dizer isto duas vezes, fazes uma Arca e metes-te lá dentro sossegadinho com a tua senhora e um casal de animais de cada espécie, se não estamos mal contigo — proferiu o Senhor". Por muito que se adapte, por muito que se actualize o estilo, a história é esta e não outra.

Se eu quisesse incutir valores religiosos a alguma criancinha, gostaria que, do Génesis, ela retirasse pelo menos a ideia de que há um e um só Deus, que O temesse e respeitasse porque Ele é capaz de tudo e de mais um par de botas, e que a única forma aceitável de O adorar é em regime de absoluta exclusividade. Para quem não quer introduzir o tema Religião na educação da canalha ou para quem acredita que os tempos mudaram e a canalha de hoje já não deve ser exposta às overdoses de escatologia e cataclismo do Antigo Testamento, há sempre o Noddy.

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* Claro que posso estar aqui a cometer uma enorme injustiça, no caso de o spot estar contaminado exactamente pelo produto. Mas, mesmo nesse caso, a injustiça será mais aparente do que outra coisa. Não me interessa nada de quem é o erro, do anunciador ou do anunciante, interessa-me o erro em si.

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2.10.08

Ver ou não ver


Diz no Público que a adaptação ao cinema do Ensaio sobre a Cegueira, de José, o Saramago, está a causar polémica entre os invisuais norte-americanos. Marc Maurer, presidente da respectiva Federação Nacional, entende que a cegueira "não é uma alegoria muito inteligente para falar sobre o colapso da sociedade". Deduzo que não tenha adiantado qual a alegoria inteligente para o fazer (a paralisia, a impotência ou qualquer outra que ocorra também iriam certamente desagradar a alguma Federação análoga).

"O filme retrata as pessoas cegas como monstros e isso é mentira", conclui Marc Maurer enquanto vai preparando um protesto em regra contra o filme. O Público não esclarece sobre a natureza de tal protesto, mas acredito que passe, no mínimo, por conseguir que os invisuais não vejam o filme. Antevejo uma enorme taxa de adesão. Não sei se existe alguma versão inglesa e em braille do Ensaio, mas creio que não seria descabido que Marc Maurer tivesse uma, para poder não a ler.

Claro que Marc Maurer pode ser apenas um instrumento da campanha republicana, destinado a fazer brilhar a senhora Palin. Ou alguém contratado pelo próprio Saramago, só para comprovar a estupidez dos americanos e (alegoricamente) mostrá-la como inerente ao capitalismo. Sabe-se lá.

(Blindness, de Fernando Meirelles, estreia amanhã nos Estados Unidos. Ou não. A ver vamos.)

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15.9.08

De volta às frases dos outros

"Except somebody sometimes he liked everybody always."

De um cavalheiro chamado Gerald Kersh, a ler sempre e às vezes também.

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5.8.08

Os Tuguíadas erraram


Derivado à recente vaga de mais informação sobre o Caso Maddie, o Desinfeliz constatou erros seus que contaminavam as últimas estâncias dos Tuguíadas (calma, calma, as últimas estâncias publicadas, não abram já o champanhe).

Quem, estando de férias ou em adiantado estado de decomposição mental, sentir que não tem nada melhor para fazer, poderá ir aqui e comprovar que, onde antes se viam dois cocker spaniels (supondo que não eram dois cockers spaniel), surge agora um exemplar de Springer Spaniel Inglês (em maiúsculas por ser bastante mais raro e consideravelmente maior que o cocker). Se o seu caso é daqueles clinicamente mais desesperados (refiro-me às pessoas que lêem o que vem por baixo das fotos), poderá até reparar que agora temos spaniels, no geral, onde antes tínhamos cockers, no particular.

Não se julgue que este tipo de opção é fácil, porque não é. O google resolve o problema da imagem em menos de um forfo (ou será fórfero?), e quase sem intervenção humana. Em sabendo, como sei agora, que a bicharada é springer, e não cocker, é só chamar o google, dizer busca! busca! com convicção e depois escolher a caça. Não custa nada.

Já no que concerne às palavras, o problema é totalmente outro. Aí, os problemas como que se desmultiplicam e subdividem, ao mesmo tempo que se exponenciam e decompõem, os sacanas. Ao saber que a sua obra (rigidamente espartilhada pela rima e pela métrica, note-se bem) se encontra contaminada por erros grosseiros de casting canino, qualquer um pensaria que está literalmente tramado. Passado o pânico inicial, qualquer um que se veja nessas circunstâncias recupera a respiração e o ritmo cardíaco ao verificar que o cocker se encontrava no primeiro terço de um verso, longe das zonas de sílaba tónica, onde tudo se decide.

Quando se percebe que springer tem exactamente as mesmíssimas duas sílabas que cocker, esse alívio inicial dá lugar a uma quase euforia. Um estado de espírito que, habitualmente, não é senão o prenúncio de alguma desgraça. Que é o que acontece quando um (eu, portanto) se dá conta de que, desgraçadamente, até pode escolher entre um substantivo mais comum, como spaniel, e um mais particular, como springer.

Entre os já referidos ociosos e/ou alucinados que ainda se encontrem a ler isto, poderá haver algum (atento e mauzinho, como só essa gente que se põe a ler coisas consegue ser) que encolha os ombros e cuspa para o chão em sinal de desprezo, se for de cuspir para o chão. Ou que vá logo apontar o erro nos comentários, se for mesmo porco. É que essa questão, essa possibilidade, já se punha quando um (eu) optou por cocker e não por spaniel. Daí a acusar um (a mim, concretamente) de mentecapto ou simplesmente aparvalhado, não vai muito.

Para que ninguém chegue a tal ponto, um (eu) deverá dar-se ao trabalho de argumentar que a mudança das circunstâncias pode mudar o próprio homem. Isto de um (um qualquer, diria eu) saber que os alegados cockers afinal são springers muda tudo. Ao expurgar do erro a estância em causa, um (se um quiser considerar-se precavido), em podendo, evitará cometer novamente o mesmo erro no mesmo verso. É assim que um (eu) dá por si a substituir a imagem dos cockers pela do springer e o familiar cockers pelo genérico spaniels, quando toca às palavras. Nunca se deve subestimar o efeito da mot juste, mesmo tratando-se de uma francesice e mesmo quando o assunto são chinesices sobre cães ingleses genericamente chamados espanhóis.

Julgáveis que a vida era fácil? Desenganai-vos. Fácil é vir ao Algarve com três putos e deixar um de souvenir, ao invés de o levar, que já está tão visto. Ou de recuerdo. Ou de memento. Um não sabe.

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O Império da Paz Celestial


Também conhecido como Império do Meio.


Como será o do Extremo?

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