"Pode ser que sim. Pode ser que não. Não posso garantir." - in Astérix, A Volta à Gália

26.5.08

Com quase uma hora de atraso (nem os horários das novelas respeitam...)

OS AMIGOS DE ADOLFO
5. A Casa da Rua Garibaldi


O episódio abre em clima de suspense. Seguimos um homem dos seus 45 anos de idade, com o seu quê de misterioso, pelas ruas de uma capital europeia. O homem chega a casa. Abre a sua caixa de correio. Lá dentro está um envelope. O homem olha com interesse para o envelope. Antes de entrar em casa, certifica-se mais uma vez de que não está a ser seguido. Uma legenda esclarece-nos um pouco: Viena, 1954.

Corta para dentro da casa do homem, que não é outro que não Simon Wiesenthal, o mais célebre dos caçadores de nazis. Wiesenthal está a abrir o envelope. Lá dentro está um postal, remetido da Argentina. No postal lê-se: "Ich sah jenes schmutzige Schwein Eichmann. Er wohnt beinahe in Buenos Aires und arbeitet für ein Wassergeschäft”.

Tomando em consideração a parte do público que não lê alemão, uma voz off traduz: “Vi aquele porco do Eichmann. Ele vive perto de Buenos Aires e trabalha numa companhia de águas”.

Excitado com as notícias, Wiesenthal guarda o postal e sai imediatamente de casa. Corta para Wiesenthal a entrar na embaixada de Israel em Viena.

Corta para Buenos Aires. Um grupo de jovens, rapazes e raparigas, convive animadamente. Um dos mais animados é um jovem a quem os outros tratam por Nicholas. É um rapaz muito gabarolas. Orgulhosamente, o rapaz diz para uma rapariga que parece bastante atraída por ele: “Sabe, o meu nome nem sempre foi Nicholas. Chamo-me Klaus. Klaus Eichmann.” E prossegue, exaltando os feitos do seu pai ao serviço do III Reich, nomeadamente no que toca à Solução Final. A única coisa que Klaus lamenta, a esse respeito, é que o trabalho não tenha sido levado até ao fim. A rapariga disfarça bem, mas vemos que fica algo incomodada com a conversa.

Corta para casa da rapariga. Sylvia, pois é essa a sua graça, conta ao pai o que aconteceu com Nicholas/Klaus. O pai, Lothar Hermann, fica extremamente perturbado. E não é para menos. Hermann é um ex-residente do campo de concentração de Dachau, onde Eichmann prestara serviço como administrador.

A pedido do pai, Sylvia dirige-se à casa de Nicholas/Klaus, na Rua Garibaldi, na zona de San Fernando. Um senhor de óculos e em adiantada recessão capilar abre-lhe a porta. Sylvia pergunta por Nicholas. O senhor diz que ele não está. Sylvia pergunta se ele é o pai. O senhor confirma. Sylvia agradece e retira-se.

Hermann não perde tempo a transmitir esta informação. Contacta responsáveis israelitas, que passam a trabalhar em estreita ligação com ele nos anos que se seguem para se informarem sobre Eichmann e formularem um plano para o capturar.

A Mossad começa a vigiar constantemente a casa da Rua Garibaldi e os hábitos do dono da casa. Não restam muitas dúvidas de que o homem é Eichmann. Mas também não há provas. Até que...

Até que chega o dia 21 de Março de 1960. O fim do dia, mais concretamente. O careca-caixa-de-óculos sai do autocarro e dirige-se lentamente para casa. Traz na mão um ramo de flores, que entrega à mulher que o recebe à porta. Os filhos estão vestidos para uma ocasião especial. Pela noite fora, os agentes da Mossad ouvem risos e todos os outros sinais da festa que decorre dentro da casa da Rua Garibaldi.

Plano revelador da troca de olhares entre os membros da Mossad. Agora eles têm a certeza: Riccardo Klement, o careca-caixa-de-óculos, é mesmo Eichmann. 21 de Março é o aniversário do casamento de Adolf e Veronica. Estando-se em 1960, o casal Eichmann está a comemorar as suas bodas de prata.

O episódio termina sob o signo da boa disposição, tanto no interior como no exterior da casa da Rua Garibaldi.

(Continua)

AMANHÃ - A não perder, de forma alguma - OS AMIGOS DE ADOLFO - A sua blogonovela da vida real aproxima-se do final - O raio do homem safa-se ou não? - A Mossad cata o gajo ou não cata? - QUE NERVOS!!! - Envie um SMS seja para quem for e diga o que quiser sobre OS AMIGOS DE ADOLFO - Quem enviar mais SMS habilita-se a poder ganhar um talão para um sorteio de duas viagens para 1 pessoa a Buenos Aires

24.5.08

Adolfo engole ou não engole? (ou: às vezes é pior a amêndoa que o cianeto)

OS AMIGOS DE ADOLFO
4. Riccardo


O plano abre sobre as ruínas, materiais e humanas, do III Reich. Eichmann é capturado por soldados norte-americanos.

Talvez por não acompanharem esta blogonovela, os captores não se apercebem de que acabaram de encontrar um bilhete de lotaria premiado. Não reconhecem Adolf Eichmann, que se apresenta como “Otto Eckman” e consegue passar por um vulgar nazizeco de meia tijela como tantos outros.

Corta para fuga de Eichmann. Sobrepõe-se legenda: 1946. Durante quatro anos, Adolf consegue esconder-se em diversas zonas da Alemanha. Em 1948 obtém uma autorização de desembarque na Argentina, mas não lhe dá uso de imediato.

Corta para 1950. Eichmann chega a Itália, onde passa por refugiado, com o nome de Riccardo Klement. Com a ajuda de um frade franciscano com ligações ao arcebispo Alois Hudal, que organizou uma das primeiras rotas de fuga de criminosos de guerra nazis, Eichmann consegue um passaporte humanitário do Comité Internacional da Cruz Vermelha e um visto argentino, ambos em nome de "Riccardo Klement, técnico". (A produção da novela pode encontrar este passaporte falso no Museu do Holocausto em Buenos Aires, onde se encontra desde 2007, e fazer um mock-up fidedigno.)

Corta para 14 de Julho de 1950. "Riccardo Klement" embarca num navio com destino à Argentina.

Nos dez anos que se seguiram trabalha em diversos biscates na área de Buenos Aires e não só (de capataz de fábrica a assistente de engenheiro hidráulico e a criador de coelhos). Mesmo antes do intervalo para a publicidade, Eichmann consegue reunir toda a família na Argentina.

Corta para Junho de 2006. Na sede da CIA, em Washington, são divulgados antigos documentos relativos a Nazis e às redes que os apoiaram e que rapidamente se reconverteram à luta anti-comunista. Entre os 27.000 documentos divulgados, a câmara encontra e mostra em grande plano um memorandum da secreta alemã BND para a CIA, datado de Março de 1958, em que se afirma que Eichmann estaria a viver na Argentina desde 1952, sob o pseudónimo “Clemens”.

Na época, a CIA não tomara nenhuma medida quanto a esta informação, pois a detenção de Eichmann ameaçava tornar-se embaraçosa tanto para norte-americanos como para alemães, na medida em que chamaria a atenção para todos os ex-nazis recrutados depois do fim da guerra.

Para exemplificar esta situação, fazemos um flashback dentro do flashforward e vemos Konrad Adenauer, chanceler do governo da Alemanha Federal à data do memorandum, manifestando grandes receios: o que é que Eichmann não poderia revelar sobre o passado de malta como Hans Globke, conselheiro de segurança nacional de Adenauer, que tinha trabalhado com Eichmann no departamento de Assuntos Judaicos e na redacção das infames Leis de Nuremberga, de 1935?

A pedido de Bona (sobrepor legenda: Bona, capital da República Federal da Alemanha, 1958), a CIA convence a Life a apagar todas as referências a Globke das memórias de Eichmann, que a revista comprara à família.

Split screen (duas imagens diferentes em simultâneo, portanto): de um lado do écran, a CIA e a BND partilham a informação sobre o paradeiro de Eichmann; do outro lado do écran, em Tel Aviv, as autoridades israelitas suspendem temporariamente as buscas de Eichmann, por não conseguirem descobrir que raio de pseudónimo é que o diabo do homem usava.

(Momento a explorar de modo particularmente enervante e de forma a dramatizar a primeira aparição dos iraelitas na história, agora como nação soberana e já não como gado humano a caminho dos matadouros. Tirar também o devido partido dos “Nokmim”, os “Vingadores”, grupo de elementos oriundos da Jewish Brigade, unidade do Exército de Sua Majestade, uns rapazes que levaram bastante a peito a perseguição, captura e inclusivamente a execução sumária de nazis temporariamente desaparecidos. Óptima altura para terminar o episódio, talvez não sem antes voltarmos a ver Eichmann, tranquilo e feliz da vida, na Argentina.)

Protegido pela hospitalidade argentina, pela inércia da CIA e pela fortíssima concorrência da ameaça soviética, suficiente para ofuscar toda e qualquer vontade de perseguir criminosos de guerra nazis, Eichmann leva a sua vidinha com cautelas mas sem demasiado receio de ser descoberto.

Plano aberto de Eichmann a jogar golfe. Plano apertado de taco de golfe a empurrar bola para o buraco 14. Subjectiva da bola a entrar no buraco. Vai a negro e passa o genérico.

(Continua)

AMANHÃ - A NÃO PERDER - A sua blogonovela da vida real não vai de fim-de-semana - Rigoroso exclusivo DESINFELIZ DE JUÍZO - Ligue 808 666 666 se acha OS AMIGOS DE ADOLFO uma blogonovela bestial - Se acha outra coisa exija que o desliguem da internet - Amanhã, somente das 0.00 às 24.00, 4º episódio e voucher para Tatuagem do seu N.I.B. no pulso - Será que Adolfo vai escapar à justiça?

23.5.08

Cá vai disto (episódio não desaconselhável a menores)

OS AMIGOS DE ADOLFO
3. A Guerra


O episódio abre com as habituais imagens de arquivo do início da II Guerra Mundial: a invasão da Polónia, os Stukas a picar e a assobiar, os tanques a avançar, os polacos a cavalgar, as meninas a morrer, etc., etc., etc.. Nada de especialmente assustador, apenas o mínimo para, com a preciosa ajuda de uma legenda, situar o espectador: Berlim, 1939.

Estamos no Gabinete para a Emigração Judaica. Eichmann acaba de ser promovido a SS-Hauptsturmführer (capitão). Continua a estabelecer contactos com o movimento sionista, com quem vai tentando acelerar a saída de judeus do III Reich. Recebe a notícia da formação do Gabinete Central de Segurança do Reich (Reichssicherheitshauptamt, RSHA), que vai administrar todas as polícias e serviços de segurança.

Corta para Dezembro de 1939. Eichmann é nomeado chefe do departamento RSHA Referat IV B4, que lida com os assuntos judaicos, nomeadamente a evacuação.

Corta para Agosto de 1940. Eichmann concebe o Projecto Madagáscar (Reichssicherheitshauptamt: Madagaskar Projekt), um plano para a deportação forçada dos judeus (que nunca se veio a materializar, porque entretanto alguém teve uma ideia melhor... mas não antecipemos). É promovido ao posto de SS-Sturmbannführer no final de 1940 e menos de um ano depois a Obersturmbannführer.

Corta para 1942. Reinhard Heydrich, fundador e primeiro-comandante da RSHA (ou seja, da Gestapo, da SD e da Kripo, terceiro na hierarquia das forças de segurança do Reich, só atrás de Himmler e do Tio Adolfo Schicklgruber) destaca Eichmann para desempenhar as funções de secretário relator na Conferência de Wannsee, em que as medidas anti-semíticas nazis são assumidas como política oficial de genocídio.

Eichmann recebe o cargo de Administrador de Transportes na “Solução Final da Questão Judaica” (cá está a ideia que já estávamos a antecipar, a que afastou a da deportação), o que o coloca como responsável por todos os comboios que haveriam de levar os judeus até aos campos de extermínio na Polónia ocupada. Não é à toa que este Adolfo ficará conhecido como o “Arquitecto da Solução Final”.

Corta para 1944. Adolf é enviado para a Hungria, na sequência da ocupação do país pela Alemanha como medida preventiva de uma eventual invasão soviética. Começa imediatamente a deportação dos judeus, enviando 400.000 húngaros para as câmaras de gás.

Corta para 1945. Antecipando a derrota final e algum possível desagrado dos vencedores perante a peculiar conduta do Tio Adolfo Schicklgruber e companhia, Heinrich Himmler ordena a suspensão do extermínio dos judeus e a destruição das provas da Solução Final.

Eichmann fica estupefacto com a reviravolta do Reichsführer-SS. Indiferente às ordens oficiais, que não lhe parecem fazer sentido nenhum, continua o seu trabalho na Hungria. Ou seja, continua a enviar cada vez mais judeus para os campos de extermínio. Ao mesmo tempo, faz tudo o que pode para evitar ser envolvido na política da última trincheira (que é como quem diz, bater com os costados nas Waffen-SS, as unidades de combate).

Corta para imagens de arquivo do Exército Vermelho a entrar pela Hungria rapidamente e em força. Eichmann foge da Hungria com igual rapidez, ainda que talvez não com a mesma força. Regressa à Áustria, onde reencontra o seu longo amigo Ernst Kaltenbrunner (o tal dos dois metros e um).

O episódio termina com Kaltenbrunner a evitar a todo o custo associar-se a Eichmann, demasiado marcado pelos Aliados em razão do seu papel de responsabilidade na administração do extermínio. As coisas não parecem correr bem para este Adolfo (o outro, o Schicklgruber, já se foi e com ele a própria da Alemanha e uns seis milhõezitos de judeuzecos, mais coisa menos coisa, entre outros).

(Continua)

Amanhã — A NÃO PERDER — Conseguirá Adolfo fugir aos Aliados? — OS AMIGOS DE ADOLFO — Todos os dias e a todas as horas no Desinfeliz — A SUA BLOGONOVELA DA VIDA REAL — Amanhã, 4º episódio e pulseira AMIGOS DE ADOLFO grátis ou tatuagem ICH LIEBE EICHMANN por apenas €6,99+IVA — Ligue já 808 113 113 (se o 3º episódio lhe arrepiou a espinha) ou 808 114 114 (se já sabia mais ou menos o que se ia passar mas mesmo assim gostou bastante e está em pulgas para ver como é que isto acaba) (e quando) (se é que)

22.5.08

A pedido de uma família (a minha)...

... o 3º episódio fica para amanhã. Entschuldigen.

21.5.08

A pedido de inúmeras famílias, o 2º episódio!

OS AMIGOS DE ADOLFO
2. Sob o signo da suástica


O plano abre sobre uma maravilhosa paisagem alpina. Uma legenda situa-nos no tempo e no espaço: Áustria, 1932. A música tirolesa começa a dar lugar ao ritmo compassado de uma marcha militar, prenunciando algo. Ou qualquer coisa, sabe-se lá...

Cortamos para o interior de uma casa. É a casa da família Eichmann.

Ernst Kaltenbrunner, austríaco, advogado, 2 metros e 1 centímetro de altura, amigo da família, aconselha o jovem Adolf a aderir ao nacional socialismo. Adolf assim faz. O ramo austríaco do NSDAP inscreve-o como militante, com o número 889 895.

A 1 de Abril de 1932 Adolf Eichmann dá mais um passo decisivo na vida: entra para as SS, como SS-Anwärter (uma espécie de cabo raso). Em Novembro já é um SS-Mann, portador do cartão com o número 45326 da Schutzstaffel.

Cortamos para 1933, quando os nazis sobem ao poder. Eichmann regressa à Alemanha e candidata-se a serviço activo nos regimentos das SS. É admitido e em Novembro de 1933 é colocado no serviço administrativo do campo de concentração de Dachau, com o posto de Scharführer. A carreira de Adolf promete.

Em 1934 Eichmann requere a transferência para a Sipo (Sicherheitspolizei, Polícia de Segurança), que por essa altura se tinha tornado numa organização não menos poderosa e temida que a sua prima Gestapo. A transferência é concedida e Eichmann é destacado para a sede da SD (Sicherheitsdienst) em Berlim. É promovido a Hauptscharführer em 1935 e recebe a comissão de SS-Untersturmführer em 1937.

(O espectador não se deve distrair nem envolver demasiado com a profusão de siglas ou com a aparente abstrusidade de algumas designações. Afinal de contas isto é uma novela, e não um documentário ou uma aula de alemão. Faça o favor de se concentrar no essencial. O resto é mais para criar ambiente e para que se possa mais facilmente imaginar o sotaque característico dos actores que desempenham papéis de alemão.)

Ainda em 1937 Eichmann é enviado, juntamente com o seu superior Herbert Hagen, à Palestina. (Breve plano elucidativo do estatuto de protectorado/mandatado britânico da Palestina à data dos acontecimentos, não vá o estimado público baralhar-se todo.)

O objectivo da missão é avaliar as possibilidades de emigração maciça de judeus da Alemanha para a Palestina (onde se lê emigração poderia talvez ler-se exportação, ou mesmo dumping, mas esta novela não pretende cair no humor negro demasiado fácil). Eichmann e Hagen desembarcam em Haifa, mas só conseguem obter vistos de passagem. Dirigem-se então ao Cairo, onde se encontram com Feival Polkes, um agente da Haganah (agência clandestina judaica), que discute com eles os planos sionistas, tentando obter ajuda no sentido de facilitar a emigração de judeus da Europa. Alto ambiente conspirativo.

Breve flash-forward: Eichmann, muitos anos mais tarde, declara que tinha também em vista encontrar-se com líderes árabes na Palestina e que isso nunca chegou a acontecer porque as autoridades britânicas lhe recusaram a entrada na Palestina.

Regresso a 1938. Eichmann é destacado para a Áustria, para ajudar a organizar as Forças de Segurança das SS após o Anschluss (a anexação da Áustria pela Alemanha). Este serviço vale a Eichmann a promoção a SS-Obersturmführer (Primeiro-tenente) e a escolha, no final de 1938, para formar o Gabinete Central para a Emigração Judaica, a quem se atribui a deportação forçada e a expulsão dos judeus da Áustria.

O episódio termina com Adolf Eichmann embrenhado em estudos do judaísmo, por força das suas novas tarefas. Já com o genérico a sobrepôr-se, ouvimo-lo a aprender hebraico.

(Continua)

Amanhã — A NÃO PERDER — Guerra! — Extermínio! — Mortos aos milhões! — OS AMIGOS DE ADOLFO — Todos os dias e a todas as horas no Desinfeliz — A SUA BLOGONOVELA DA VIDA REAL — Amanhã, 3º episódio e bases de copos ARBEIT MACHT FREI — Ligue já 808 112 112 (se gostou do 2º episódio) ou 808 113 113 (se não aguenta esperar pelo 3º)

20.5.08

Os Amigos de Adolfo (1º episódio)

A novela da vida real que o Desinfeliz se propõe escarrapachar nos dias que se seguem (devidamente cortada em fatias fininhas para não desassustar ninguém e para ir agarrando as audiências) necessita de umas quantas explicações e agradecimentos prévios.

Começando pelo princípio: o título. Os Amigos de Adolfo é um título que roubo indecentemente a uma fabulosa curta-metragem de Luís Tinoco, a quem penso que ainda posso chamar amigo apesar de já não o ver há muitos anos, e que entretanto se tornou conhecido como compositor e ainda por cima dizem que é dos bons.

Escolhi este título porque o protagonista da história é Adolfo, porque é fiel seguidor de outro Adolfo e, acima de tudo, porque o que me leva a escarrapachar aqui a história é a quantidade de Adolfos que por aí andam sem saberem que o são.

Na senda de outros posts anteriores, achei que se justificava assinalar no Desinfeliz a data de 24 de Maio. Numa história que começa muito antes e termina depois, o 24 de Maio é um capítulo como qualquer outro, por isso decidi começar antes e eventualmente acabar não muito depois de 24 (se não me falham as contas às doses a servir em cada episódio).

Finalmente, espero não estragar nenhum efeito dramático mas vou adiantar já a moral da história, ou a minha moral da história, que não é mais que a razão que me leva a pensar que ela, a história, pode ter algum tipo de interesse para as pessoas. Para algumas pessoas, pelo menos.

Este Adolfo e muitos dos seus amigos sustentaram a tese de que a responsabilidade desaparece quando se cumprem ordens. Em última análise, num sistema hierárquico piramidal puro e duro, a responsabilidade seria toda, única e exclusivamente, do Grande Chefe. Todos os outros, pelo facto de cumprirem ordens, estariam automaticamente libertados de qualquer outro tipo de obrigação, culpa ou possibilidade de castigo. Cómodo, muito cómodo. Demasiado cómodo e, para mim, totalmente inaceitável.

A história deste Adolfo começou há mais de 100 anos e o 24 de Maio que pretendo assinalar foi o de 1960. Mas, talvez por histórias como esta não terem sido devidamente adaptadas para novelas ou outros formatos de fácil consumo, é espantosa a quantidade de pessoas que vejo todos os dias agirem de acordo com a tese da responsabilidade total do líder supremo e inatingível, e da paralela e consequente desresponsabilização de todos os subordinados, ou seja de toda a gente. Vejo-os todos os dias e não páro de m'espantar e de m'assustar com o seu zelo de burocratas e com a sua fantástica combinação de inocência, ignorância, inconsciência, auto-convencimento, cobardia, estupidez e amoralidade.

É nestes amigos de Adolfo que penso quando trago esta história para os amigos do Desinfeliz. Depois deste longo intróito, prometo que o primeiro episódio é curtinho. Apresenta-se o protagonista e prontos, amanhã há mais.

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OS AMIGOS DE ADOLFO
1. Os primeiros passos


Nasceu a 19 de Março de 1906, na Alemanha, mais exactamente em Solingen, não muito longe de Düsseldorf. Os pais, Adolf Karl Eichmann e Maria Eichmann, Schefferling de solteira, chamaram-lhe Otto Adolf Eichmann.

Em 1914 a mãe morreu. O pai, homem de negócios e industrial, levou a família para Linz, na Áustria. Terminada a Primeira Grande Guerra, durante a qual serviu no exército austro-húngaro, Adolf Karl voltou à família e aos negócios em Linz.

Otto Adolf, o filho, deixou a Realschule sem ter concluído os estudos secundários e começou a praticar a profissão de mecânico. Aos dezassete anos começou a trabalhar na companhia mineira do pai. Entre os dezanove e os vinte e um trabalhou como vendedor para a Oberösterreichische Elektrobau AG e até à Primavera de 1933 foi agente da Vacuum Oil Company AG, uma subsidiária da Standard Oil. Em Julho de 1933, com vinte e sete anos, regressou à Alemanha.

Em 21 de Março de 1935 casou com Veronica Liebl, três anos mais nova. Tiveram quatro filhos: Klaus Eichmann (nascido em 1936, em Berlim), Horst Adolf Eichmann (n. em 1940, em Viena), Dieter Helmut Eichmann, (n. em 1942, em Praga) e Ricardo Francisco Eichmann, (n. em 1955, em Buenos Aires).

(Continua)

Amanhã — A NÃO PERDER — Adolf entra no Partido Nazi — Será que se junta às SS? - OS AMIGOS DE ADOLFO — Todos os dias e a todas as horas no Desinfeliz - A SUA BLOGONOVELA DA VIDA REAL - Guerra! Espionagem! Horror! Justiça e injustiça! Mortos - muitos, muitos, muitos mortos! — Amanhã, 2º episódio e capa arquivadora GRÁTIS - Ligue já 808 115 115 (se gostou do 1º episódio) ou 808 112 112 (se adorou)

15.5.08

José, o fumador


José, o Primeiro, era um ex-fumador. Já na sua nova condição de não-fumador, foi caçado a fumar (no gabinete? no hall de entrada do Palácio de Belém? na casa de banho da Assembleia da República? confesso que não me lembro onde foi, mas não interessa). Caçado a fumar, José, o Primeiro, reiterou a sua condição de ex-fumador e actual não-fumador e passou à frente.

No dia 1 de Janeiro, assinalando a entrada em vigor das novas mega-restrições ao acto de fumar, que vieram estender a todo o habitat do ser humano as proibições que há muito tempo já vigoravam nos aviões, José, o Primeiro, assistiu, como todos os portugueses, ao espectáculo do Casino, com o inspector-mor da ASAE no protagonista. Como todos os portugueses, José, o Primeiro, nada fez sobre o assunto e, ao contrário de muitos, não se pôs a criticar o pobre do agarrado. Estou em crer que nem sequer lhe terá dedicado um minuto que fosse do valioso tempo das suas conversas com Manuel, o Pinho, responsável, entre tantas outras coisas complicadas, pela ASAE.

Não admira que, enfiado num avião com destino a Caracas, José, o Primeiro, tenha aproveitado a ocasião para pôr a conversa em dia com Manuel, o Pinho. Quiçá enervado com algum panorama económico eventualmente mais negativo que Manuel, o Pinho, lhe tivesse finalmente conseguido transmitir, José, o Primeiro, teve uma recaída. Sacou de um dos cigarros que já não fuma e fumou. Depois fumou outro. Quando acabou os dele, cravou mais um ou dois a Manuel, o Pinho, que provavelmente o ia acompanhando apenas por uma questão de cerimónia, porque Manuel, o Pinho, não é desses de tomar a iniciativa. E muito menos quando a iniciativa vai contra normas comunitárias em vigor.

Confrontado, já no destino, com alguma polémica gerada no ponto de partida por este pequeno incidente de viagem, José, o Primeiro, meteu a beata no bolso e os pés pelas mãos, como qualquer miúdo apanhado a fumar, engasgou-se e desengasgou-se, tossiu e mentiu. Reafirmou, pela enésima vez, que vai deixar de fumar.

Poucas vezes terá José, o Primeiro, feito uma promessa com tantas probabilidades de vir a cumprir. No dia em que José, o Primeiro, deixe de o ser e volte a ser apenas José, o Engenheiro, vai ter de cumprir a lei que aprovou, talvez com alguma ligeireza, e vai mesmo deixar de fumar nos aviões, nos gabinetes, nos halls, nas casas de banho e basicamente em todo o lado.

A mim, sinceramente, tanto se me dá que José, o Primeiro, fume ou deixe de fumar. O que me lixa é que José, o Alfredo, não possa também fumar um cigarrito em paz e sossego.

14.5.08

Declaração de interesse (muito especialmente para quem se interessar)

Apesar de este ano ter calhado a 8 de Maio no calendário cristão em vigor, 14 de Maio é a data da Declaração do Estabelecimento do Estado de Israel. O texto, também conhecido por Declaração de Independência, foi aprovado numa sessão festiva do Conselho do Povo, constituído por representantes da yishuv (a comunidade judaica da Palestina) e do movimento Sionista. Era uma sexta-feira dos idos de 1948 e estava-se a poucas horas do termo do mandato Britânico na Palestina.

A Declaração divide-se em sete secções. A primeira, que ocupa cerca de metade da área total do texto, é um prefácio de carácter histórico. Refere sucintamente os laços entre o povo judaico e a terra de Israel, como fundamento e legitimação das aspirações à soberania: a formação política, cultural e religiosa do povo judeu na terra de Israel e a sua passada existência política independente nesse território; a imigração e povoamento mais recente, com a consequente aspiração à independência e ao estatuto de estado; o reconhecimento internacional do direito de regresso do povo judeu ao território, na Declaração Balfour; a lição do Holocausto — que a independência é uma necessidade; a imigração clandestina dos sobreviventes do Holocausto para a Palestina e a contribuição da yishuv para o esforço de guerra contra os nazis, que a legitima como candidata a membro-fundador das Nações Unidas; o reconhecimento do direito do povo judeu ao seu próprio estado, expresso na resolução de partilha da ONU.

Na segunda secção, afirma-se o direito natural do povo judeu a ser como todos os outros povos e a exercer a auto-determinação num estado soberano seu. A terceira proclama o estabelecimento de um estado judaico em Eretz Israel, designando-o como "Estado de Israel". A quarta estabelece instituições provisórias de governação desse estado: o Conselho de Estado Provisório e o Governo Provisório. A quinta estatui que caberá a uma assembleia constituinte eleita a formulação de uma constituição, num prazo de meses. A sexta esquematiza os princípios do ordenamento político do estado. A sétima e última secção apela à paz e à cooperação com os Árabes de Israel, com os países vizinhos e respectivos povos, com o povo judeu da Diáspora e com a Organização das Nações Unidas.

Apelo que nunca será de mais repetir. Com a mesma insistência com que, durante séculos e séculos, os judeus espalhados pelo mundo continuaram a despedir-se nas ocasiões mais solenes com um "Até para o ano, em Jerusalém", nenhuma declaração, seja ela qual for, deve terminar sem um sincero, convicto e esperançoso "Shalom".

Shalom.

7.5.08

Vamos aprender a comemorar?

Como comemorar o 25 de Abril? Respondendo às (mais que fundadas) preocupações do Presidente da República, eis uma lista de ideias que se poderiam adaptar ao nosso caso ou inspirar-nos a criar as nossas próprias ideias (sim, dá um bocadinho de trabalho, mas é das tais coisas que, em fazendo-se como deve ser, unem o povo, refrescam a democracia, tonificam as instituições e revitalizam as fibras da própria nação).

O que se segue é um programa das comemorações do 60º aniversário da independência de Israel. O dia que se assinala é o 14 de Maio*, mas as festividades começam já hoje e prolongam-se por mais uns quantos dias. Desde o tradicional barbecue em família à divulgação dos resultados de uma votação nacional para escolher o pássaro que haverá de simbolizar o país, há de tudo, com e sem simbolismos, com e sem intenções pedagógicas, com e sem as instituições do estado, com e sem aparato, com e sem muito dinheiro.


Peço desculpa por a lista ser em inglês (mas sempre é preferível ao hebraico...).

* 14 de Maio, no calendário judaico, este ano calha no nosso 8. Cada terra com seu uso, não é verdade, e se a Terra-média tem direito aos mais desvairados calendários por que é que a Terra Santa não há-de ter também o seu?

Lighting up the skies of Israel

Massive light shows with illuminations, music, laser shows and special effects will adorn the skies of Israel on the eve of Independence Day. The displays will take place at a number of locations, from Nahariya in the north to the southernmost city of Eilat, and the coastal plain in the west to the spine of the mountains in the east. The performances will also be broadcast live on television.

Location: Across the country
Date: Wednesday, May 7
Time: 8 P.M.


We are as one

A video presentation of the history of the State of Israel will be broadcast on screens across the country. The footage contains key points in the history of the state, including the Declaration of Independence in 1948.

Location: Nationwide
Date: Wednesday, May 7
Time: 10 P.M.



Recreation of the Declaration of Independence


Independence Hall is the site of the declaration of the establishment of the State of Israel by David Ben-Gurion, the first prime minister of the Jewish state. To honor its 60th anniversary, there will be a reenactment of the moment of this historical moment.

Location: Independence Hall, Tel Aviv
Date: Thursday, May 8 and Friday, May 9
Time: 9 A.M.


Entrance is free!
From Ninet to Mashina, live on stage for Independence Day

Location:Across the country
Date: Wednesday, May 7
Time: From 8 P.M.


Ashkelon: Yuval the Confused, Ron Shoval, Hadas Moreno, House of Dolls, and Erik Berman.

Ashdod: Yuval the Confused, David D'Or, Dana International, pyrotechnics and laser shows

Haifa: Moshe Lahav, Kobi Aflalo, Teapacks, Stalos, Oren Chen, Hani Nachmias, Subliminal and the Tact Family

Herzliya: Pablo Rosenberg, Margalit Tzanani, expert illusionist Hezi Dayan, Tal Museri

Netanya: Harel Skaat, Margalit Tzanani, Mashina, Ninet, Synergy, Ivri Lider, the Pajamas, and Idan Yaniv

Ramat Gan: Boaz Meuda, Mashina, Synergy, Knesiat Hasechel, Tzvika Pik, Yehudit Ravitz, Boaz Sharabi, Harel Skaat, Dafna Dekel, Yaniv the Fabulous

Tel Aviv: Yizhar Cohen and Nurit Hirsch, Givatron, Mati Caspi, Ivri Lider, Monica Sex and Dana International, Rinat Gabay, fireworks and a party into the night

Yavneh: Muki, Tal Mann, fireworks displays, dance parties

Getting that Zionist feeling on Independence Day

If at your house, all those who have not yet finished school are convinced that the first Prime Minister of Israel was Grandpa Tevye from Fiddler on the Roof, perhaps it is worth nudging them in the direction of sites that commemorate our settlement, heritage and security. You will be surprised at the number of attractions that are definitely worth a visit-celebrating 60 years of a state and its independence is a good a reason as any to go, even if you can recite the entire history of independence by heart.

We are the pioneers!

The Palmach museum in Tel Aviv, is one of the most impressive in Israel, featuring the interior of the ship used to bring the immigrants over to mandate Palestine, (including the suffocating smell, the pioneers' suitcases and waves of ocean spray), the inspectors' tents, detention center and even a military post. The exhibits in the museum are ordered chronologically and groups will follow the journey of the Palmach and experience along with them the training and the discussions of military operations with other underground organizations and of course, the announcement of the Declaration of Independence and the War of Independence.

Location: 10 Haim Levanon Street, Ramat Aviv, Tel Aviv.
When: Sunday, Monday 09:00-17:00; Tuesday 09:00-20:00; Wednesday 09:00-15:00; Thursday 09:00-13:30; Friday 09:00-11:00


Defense is the best form of attack

In Israel today, we typically build the railway tracks first and then only afterwards realize that it was not such a good idea. This could well trigger a yearning for the generation who knew how to construct on a grand scale and in an orderly fashion. Take for example, members of the Haganah, who in 1945 were already preparing for the War of Independence. With this in mind, they acquired Polish machines designed to produce rifle bullets. Underneath the laundry buildings and bakery, groups dug a 250 meter hiding place to store their weapons. The Ayalon Institute in Rehovot, deserves praise for its excellent reconstruction of the secret hiding place.

Location: Kibbutzim Hill, Rehovot.
When: Sunday-Thursday 08:30-16:00; Monday, 08:30-18:00 (March-October); Friday 08:30-12:00; Saturday 09:00-16:00.


Bravery caught on camera

It's a bit hard to believe, even using the imagination, that the place that once witnessed bitter conflict and blood, today organizes events and festivities. Perhaps it is a bit disrespectful, but the refurbished Hatser Tel Hai Museum nevertheless offers impressive displays which depict the story of the heroism and courage of the fighters based at the site. Children's activities are also provided, along with painting and coloring for toddlers and everyone can enjoy the audiovisual show. In addition, there is an art and dressing-up corner available during festivals and holidays.

Location: Hatser Tel Hai, Galil Elion.
When: Sunday-Thursday 08:00-16:00; Friday and erev chag 10:00-15:00.


Old and new

Kibbutz Ein Shemer was built in 1913. You will see for yourselves the size of the dream and the belief held by the kibbutz members that arrived and held onto the place by their fingernails. Even drinking water had to be brought by wagon for 12 years. That is one of the reasons why Ein Shemer has become an exceptional example, and why today the kibbutz is flourishing and exhibits 'The Old Courtyard'-a magnificent refurbished courtyard, surrounded by original and reconstructed buildings, a tractor display, guided tours on the Turkish railway, an audiovisual presentation and even bread-baking. All of this is flavored with the guides' favorite stories and enriched with activities that take place during holidays and festivals.

Location: Kibbutz Ein Shemer, near Gan Shmuel, Caesaria and Binyamina.
When: Sunday-Thursday 08:00-16:00; Friday and erev chag 08:00-13:00; Shabbat and festivals 10:00-15:00


NILI's British partisans

We had to undergo a lot of suffering and hardship to achieve a state of our own. The first people here were really the first. For the pioneers and the urbanites, everything was totally new. Unlike us, there was no one for them to accuse. NILI was one of the first Jewish underground organizations to be established, founded by a group of boys and girls. The Aaronsohn House Museum in Zichron Yaakov follows the story of the young people who under frightening Turkish rule aided the entry of the British army into Israel. The museum exhibits the tools, furniture and documents from that period and audiovisual presentations provide an additional and thorough explanation of the events that took place.

Location: Zichron Yaakov
When: Sunday-Thursday 09:00-14:00; guided tour on the hour every hour-Tuesday until 15:00; Friday until 12:00



Independence Day parties



PUBLIC PARTIES

There are three birthday parties for the public, all of which will begin at 1 P.M. on Friday May 9. The three parties will take place at Nitzanim Beach near Ashkelon, Rabin Square in Tel Aviv and Achziv Beach in the Galilee. Entrance is free

BORN ON MAY 14

There will be a special birthday party at the President's Residence starting on 4 P.M. on May 11 for people who were born on the same date as the State of Israel. If you were born on the fifth of Iyar 5708 (May 14, 1948) or know someone who was, please contact the organizers by emailing minhelet60@israelexperience.org.il or meravmu@israelexperience.org.il or by calling (02) 621 6464

STREET PARTIES

Salona

A wild party in the Naga neighborhood of Jaffa, in association with Poike restaurant. On the menu is lots of meat, alcohol and excellent music. At the turntable will be Erez Tzuk Ramon and Hadas Orbuch.

Location: Salona bar, Jaffa
Date: Thursday, May 9
Time: From 8 P.M.


Botanica

Nadav Ravid and Amir Egozi are in charge of the music at this intimate party.

Location: Shesek bar, Tel Aviv
Date: Thursday, May 9
Time: From 10 P.M.


Broken Beats

Electro music and a wild party. Toaster will be at the turntable.

Location: Uganda, Jerusalem
Date: Thursday, May 9
Time: From 10 P.M.


Unveiling Israel's national bird on Independence Day


Israelis have voted over the past months for their national bird and the winner will be unveiled on Independence Day. The 10 finalists are: Lesser Kestrel, Barn Owl, Griffin Vulture, White-breasted Kingfisher, Graceful Warbler, Yellow-Vented Bulbul, European Goldfinch, Palestine Sunbird, Hoopoe, Spur-winged Plover.

Telfed goes north

Telfed (the South African Zionist Federation) has organized a one-day tour to the Galilee on Tuesday 13th May in honor of Yom Haatzmaut. Buses will pick participants up from Ra'aana and the nearby Protea Village and the tour includes a special memorial ceremony for the South African who have fallen in Israel's wars and in terrorist attacks, to take place at the South African Memorial at the Golani Junction.

ESRA's new picnic generation

The English-Speaking Residents' Association (ESRA) was founded in 1979 by a group of English-speaking residents of Herzliya and Kfar Shmaryahu and now includes additional branches in Ramat Hasharon, Raanana, Kfar Saba and Hod Hasharon. ESRA's New Generation group (aimed at 25- to 45-year-olds) is planning an Erev Yom Ha'atzmaut picnic in Raanana Park.

Falafel Tea Party

On Sunday, 11th May, the Netanya branch of Americans and Canadians in Israel (AACI) will be celebrating Israel's 60th with a Falafel Tea Party. The program includes a photographic slide show, readings and memories from AACI Netanya members and friends, accompanied by falafel, Israel's national snack. The movie 'The Forgotten Refugees' (2005), that explores the history and destruction of Middle Eastern Jewish communities and includes extensive testimony from former residents of Egypt, Yemen, Libya and Iraq, will be screened.

Yom Haatzmaut Prayers in Be'er Sheba

Beersheba's Rambam Synagogue invites all those interested to join Yom Ha'atzmaut services to celebrate Israel's 60th birthday with prayer and song in the Carlebach-style. Services start at 7:45 p.m., on Wednesday May 7th, and will be conducted in Hebrew. Rambam Synagogue is located behind the Rambam School, 4 Sha'ar Yeshuv St., Shechunah Hey, Beersheba. Rambam is an Orthodox synagogue where men and women sit separately. Respectful attire is required.

Meeting Herzl

On Monday, May 19th at 19:00, Jerusalemites and tourists in Jerusalem are invited to take an imaginary journey back 100 years in time, to meet Theodor Herzl, the visionary Hungarian-born journalist and founder of Zionism. Sir Bernard Zisman will read from his book, Herzl's Journey: Conversations with a Zionist Legend. Zisman conducts throughout his book an imaginary dialogue with Herzl, covering the impact of anti-Semitism in France, travelling through Europe, and their arrival at a present-day destination where the author and Herzl discuss the plight of both Jewish and Palestinian refugees. Sir Bernard Zissman was elected Lord Mayor of Birmingham, England in 1990 and knighted for public and political services in 1996. He is presently President of the Representative Council of Birmingham and Midlands Jewry. Sir Bernard serves on the governing body of the 150 year old historic Singers Hill Synagogue and is President of the Birmingham Hebrew Congregation.

Singalong and party till dawn

On 7th May Mercaz HaMagshimim, the centre for younger olim and Jewish creativity, combining an absorption center, community center and activism center, is hosting a singalong of Israeli songs and a party, starting at 21:30 and continuing till the break of dawn. Revellers will be sustained by an open-air barbeque, and alcoholic and soft drinks. There is access for wheelchairs. All revenues from the party will go towards supporting the 'Tzur Israel' school in the Ramot neighborhood of Jerusalem, which specializes in taking care of youth in danger.

Take an Independence Day trip

What's the best way to get to know Israel? Take a trip around the country. This time, to celebrate 60 years of the State, come and try something different: jeep rides, treasure hunts and walking treks. You could hold a barbecue (mandatory on Independence Day). Or you could take the whole family to visit unique historical sites, but in order to really honor the 60th birthday of the State of Israel hand in hand with its independence, go on a trip, because only then will you get to see the land close-up, a country that will very shortly be reaching retirement age but with no intention of give up work.

Stories of the old Nitzanim site

What is it: Fascinating tours of the new Nitzanim site where you will encounter characters from the past, discover what happened at the battle of Nitzanim and watch an exciting audio-visual presentation. To finish, you can find out about trips you can take independently within the nature reserve.

When: Thursday 8th May between 10:00 and 12:00 at the Shekamim Field School.
Cost: Free


Family outing in the Galilee

What is it: A journey through the orchard groves and fields of the western Galilee, to the Monument of the Fourteen Hands; visit the site immortalizing those that fell at the battle of the Night of the Bridges in 1946 and from there continue onto the beach promenade until you reach the caves. After that, climb the tower and stockade defenses which protected the homes of the first settlers in Hanita and end with a walking tour in Adamit Park with views over the Galilee and the sea.

When: Friday 9th May at 09:00.
Cost: 40 NIS.


Independence Celebration in Adulam Park

As a birthday present, The Jewish National Fund is giving the State the Adulam Caves Park. You are invited to enjoy celebratory hikes, an abundance of activities for all the family, creative workshops and kites, archeological activities for the children, a coin workshop, a bike ride and a tour in field cars along the trails crossing the park. Following the activities, an independence celebration will be held in the ruins with singer Einat Saruf and other artists.

When: Thursday 8.5 at 11:00.
Cost: Free.


Oil Lamp Tours at the Castel

What is it: A tour by oil lamp through the winding caves, water holes and olive oil press in the Castel National Park. During the tour, the participants will walk through the reserve, imagining the difficulties in transferring the supply convoys to the hidden city and between the military outposts. From there, you will continue to the national park and by the light of an oil lamp you will wander through the connecting trenches and discover the stories of the "Castel" that constituted one of the turning points of the War of Independence.

When: 9, 10 May from 17:00.
Cost: 45 NIS adults; 35 NIS children.



Stories, palace and sand dunes

What is it: An evening trek to the sand dunes reservation at Nitzanim. Visit the "palace" - proof of the courage of the inhabitants of Nitzanim, sixty years ago; wander around the sand dunes; be amazed by the beautiful sunset, roll down the golden dunes, observe different animals and snack on pita and tea.

When: Friday 9.5 at 15:00.
Cost: 60-90 NIS


Tractors and wagons

What is it: Experiential activities for children and parents at the Courtyard Museum, Kibbutz Ein Shemer, to symbolize sixty years of agriculture in Israel. The outing includes a wonderful display of tractors, agricultural tools from the period during and before the foundation of the State, creative activities, a ride on the Turkish Railway that dates back to the beginning of the last century and a tour of the wagons that were harnessed to the tractors.

When: Saturday 10.5 at 09:30.
Cost: 45-66 NIS.


Springs at Zin Valley

What is it: A family jeep tour through the countryside and by the springs and along short walking tracks within the Zin Valley near Kibbutz Sde Boker in the central Negev. During the trip you will travel through the wide open spaces of the valley, visit the huge desert in the region and then finish with a refreshing splash in the spring.

When: Saturday 10.5 at 10:00.
Cost: 273-387 NIS per jeep.


Encounter with the park birds


What is it: Tens of species of migrant birds are prevented from inhabiting the heart of Tel Aviv. In Park Hayarkon in Tel Aviv, you will come cross warblers, orioles, starlings and even exotic birds that have managed to escape from the zoo and now endanger the local birds.

When: Saturday 10.5 at 08:30.
Cost: 51-75 NIS.


We proclaim the establishment of the State!

What is it: A family hike to commemorate 60 years of the State in Rabin Park, Latrun, where you will solve interesting puzzles, discover facts that you didn't know about the people that created the State and walk or drive in private cars along the paths that run through the park.

When: Friday and Saturday, 9-10 May at 10:00.
Cost: 30 NIS children; 20 NIS for an accompanying parent.


Watching birds up close

In the fish ponds at Kibbutz Ma'agan Michael, you will encounter coots, herons, storks and cormorants and thousands of other birds that will leave Israel to enjoy the warmer climes of Africa during the winter months.

When: Saturday 10.5 at 08:00. Exit from the gate at Kibbutz Ma'agan Michael.
Cost: 39-60 NIS.


Military and police celebrations on Independence Day

The IDF salutes Israel

Aerial, naval and skydiving displays will take place throughout the day, at various locations throughout the country.

Location: Nationwide
Date: Thursday, May 8
Time: 1 P.M.


Israel Police celebrations

Israel Police will hold a parade, including expositions of their detective capabilities, the fight against crime and the use of animals in the war on drugs. There will also be paint-ball, an artist's corner and a skills showcase.

Location: Police academy, Kiryat Ata
Date: Thursday, May 8
Time: 9 A.M.


Naval display

The Israel Navy will put on a display of boats along the Herzliya coastline. The naval boats will be accompanied by some 200 yachts and together they will sail down to the Tel Aviv beachfront. There will also be a showcase by members of the naval cadets at Herzliya marina.

Location: Herzliya Marina
Date: Thursday, May 8
Time: 10 A.M.


Israel Defense Forces orchestra Independence Day parade

For the first time, the Israel Defense Forces orchestra will team up with military orchestras from all over the world, for a parade through the streets of Haifa. The performance will bring together 10 military orchestras from around the world for a visual and musical experience, including a marching band, during which each orchestra will perform a repertoire of its songs.

Location: Haifa
Date: Thursday, May 8
Time: 11:30 A.M.

6.5.08

Nada de novo na Terra-média

Hoje, nos moldes gregorianos modernos, é 6 de Maio. No Shire está-se a 5 ou a 15 de Thrimidge, consoante o calendário seja ajustado ao nosso ou não. Ali ao lado, em Bree, não há dúvidas: é mesmo 15 de Thrimidge. Em Gondor é 14 de Lótessë (resquícios do calendário de Númenor, onde estaríamos a 15 de Lótessë). E em Rivendell as élficas folhas dos calendários apontam 39 de Tuilë. O mais fabuloso de tudo isto é que, tanto quanto se sabe, nada de especial aconteceu neste dia na Terra-média, fosse onde fosse.

5.5.08

O segundo lugar já era

É chato, há que convir. Mas o pior é se isto é verdade.

2.5.08

You'll never walk alone...


... out of the Champions, cantaram os fãs do Liverpool, solidários com os do Barça.

29.4.08

O Barcelona foi de...


...pandecos. Eh eh eh! I love this game!

28.4.08

Tragam-me o segundo pequeno-almoço, por favor


Foi com esta excelente tirada de humor britânico, livremente adaptada por um desinfeliz português a partir de uma notícia de origem norte-americana traduzida por um brasileiro, que o mexicano Guillermo del Toro confirmou que vai realizar a produção neo-zelandesa d'O Hobbit, do sul-africano J.R.R. Tolkien.

Globalmente (atrevo-me a dizer que poucas vezes o advérbio terá sido aplicado de modo mais adequado) são boas notícias. Boas notícias, no plural, porque o que se anuncia são 2 filmes 2! Como em tudo o que envolve, mais ou menos remotamente, a obra de Tolkien (e mais uma vez me atrevo a sugerir que o advérbio remotamente raramente é utilizado com tanta propriedade), a confusão, a especulação e a multiplicidade de leituras rapidamente se sobrepõem à realidade, isto é, à ficção, isto é, à notícia, isto é, o eu acho e o eu quero sobrepõem-se com a maior das naturalidades (sendo que o complemento determinativo poucas vezes terá sido escolhido com tamanha justeza) ao que se disse ou ao diz que disse.

Os dois filmes serão a história d'O Hobbit propriamente dita e uma prequela d'O Senhor dos Anéis, uma em cada filme, ainda que não necessariamente por esta ordem? Ou será a história d'O Hobbit como prequela d'O Senhor dos Anéis, necessariamente complementada com a matéria relevante d'Os Apêndices, habilmente fundida, como o próprio anel, n'Um único filme que por acaso é dividido em duas partes? Este é apenas um simples exemplo, ainda por cima simplificado (mas, espera-se, não tanto que fique simplório), do tipo de dúvidas que pode levantar aquilo que, finalmente, surge como uma certeza: O Hobbit, relativamente brevemente, numa sala perto de nós.

Confuso/a(s)?*

Óptimo. Dêmo-nos as mãozes e preparemo-nos para dar com os pézes na descrença ou na ignorância do poder das adivinhas no escuro (riddles in the dark, no original — sendo que, neste caso, o original consiste numa tradução de autor do Westron, ou Commmon Speach, para Inglês**).


* O/a estimado/a leitor/a (no singular, sem o (s), porque não é provável que haja alguém que desça a este ponto, quanto mais virem aos magotes) teria razões de sobra para pedir o livro de reclamações, caso essa figura existisse na blogosfera, se agora lhe viessem dizer que aquela conversa toda lá para trás não passava de um artifício, de um truque de que o próprio Bilbo se poderia orgulhar, para o/a trazer aqui, às profundezas das notas de rodapé, com o único intuito de lhe dizer que o Desinfeliz se congratula por ter ajudado a eleger o Tio Aníbal, cujo mostrou mais visão de futuro em dois anos de celebrações do 25 de Abril que o Sampas na vida toda dele, com aquela simplicíssima (preclara lhe chamaria, se quisesse confundir isto um pedacinho) chamada de atenção para a seguinte evidência: para a maior parte dos jovens portugueses, a democracia é grego, não no sentido etimológico, mas no sentido futebolístico do termo — um sistema ultra-fechado, interpretado por uns tipos horrorosos com uns nomes todos iguais e que no fim nos fodem à grande. Creio que o Tio Aníbal se referia (não só, mas também) ao facto iniludível de que as nossas classes política e mediática (jornalistas, analistas, comentadores) têm primado pela opacidade e pela obstrusidade do discurso, que só a vacuidade dos actos tem superado. O Desinfeliz, com esta modesta tentativa de impenetrabilidade discursiva, pretende assim homenagear, à sua maneira, o Tio Aníbal, a Abrilada, os Capitães da dita e a própria da Democracia.

** Mais confuso/a ainda? Tente apurar a função de 'naturalidades' na frase ligeiramente acima do dragãozinho (sem recorrer ao Mestre Carlos Rocha, ou a puerilidades do género 'é um substantivo', ou 'é um advérbio', ou 'caguei') e vai ver o que é bom.

23.4.08

Middle-earth Day

“Long they laboured in the regions of Eä, which are vast beyond the thought of Elves and Men, until in the time appointed was made Arda...” (J.R.R. Tolkien, Valaquenta)

Para os menos iniciados, vamos por partes até chegarmos à Terra-média (suponho que seja assim que se escreve em Português, pelo menos enquanto não vem o aborto ortográfico e passa a Bilubilu ou coisa que o valha).


Primeira parte (começando pelo fim, que é sempre o mais apetecido): Valaquenta. Que é lá isso? Dando de barato que até os não-iniciados sabem que J.R.R. Tolkien é o autor d'O Senhor dos Anéis, bastará dizer que Valaquenta é o nome do segundo capítulo de outro livro do mesmo autor (edição póstuma, do filho Christopher), que dá pelo nome de Silmarillion. Em algum não-iniciado insistindo muito, eu terei todo o prazer em discorrer um pouco sobre o Silmarillion, que é o meu Tolkien preferido. Em insistindo um pouco mais, o não-iniciado ganhará um conselho inteiramente grátis: leia o livro (talvez com o cuidado prévio de ler O Senhor dos Anéis antes, só para ganhar um pouco de balanço).

Segunda parte: . Eä? Ai ai ai que isto agora começa a complicar-se, dirá o não-iniciado. Ui ui ui que isto começa a complicar-se deliciosamente, digo eu. Para não ofender demasiadamente os não-não-iniciados com demasiadas explicações óbvias (afinal de contas não queremos ser nenhum Vitorino), bastará dizer que o tal Silmarillion é a modos que uma mitologia da Terra-média, que começa muito no género do Génesis (este Génesis, para os não-letrados-de-todo, é o primeiro livro da Bíblia, sendo que livro é o que se costuma chamar aos capítulos da Bíblia, que por sua vez é um livro ainda mais vendido que O Senhor dos Anéis e que nem sequer é muito pior). Voltando à base: Eä não é mais que o nome que Tolkien dá ao universo, criado por um deus todo-poderoso. Ilúvatar, esse deus, O deus único*, cria o universo, a partir do nada, dizendo a palavra 'Eä!', que se poderá traduzir por 'Seja!' ou 'Sê!'.

Terceira parte: Arda. Para quem chegou até aqui na relativa posse das suas faculdades, esta é fácil. Sendo Eä o Universo, o Todo, Arda é o Mundo, o planeta habitado pelos povos e pelas personagens que os não-completamente-não-iniciados conhecem d'O Senhor dos Anéis. Quando Ilúvatar, por interpostas divindades menores, concebeu este Mundo, Arda, fê-lo para que duas raças que tinha em mente vir a criar, por isso apelidadas os Filhos de Ilúvatar (os Elfos e os Homens), tivessem onde habitar. Simples, não? Suponha o estimado leitor não-iniciado que é um deus todo-poderoso. Suponha também, já agora, que para além de si próprio não existe rigorosamente mais nada nem mais ninguém, pela única e exclusiva razão de que o estimado leitor não-iniciado, talvez não suficientemente compenetrado do seu novo papel de deus todo-poderoso, ainda não criou coisíssima nenhuma. O que é que o estimado leitor não-iniciado faria numa circunstância dessas? Dir-me-á que não sabe. Mas, qual António Vitorino, aposto consigo em como, mais dia menos dia, mais milhão de anos menos milhão de anos, o Estimado (se me permite abreviar assim) acabará inevitavelmente por fazer qualquer coisa, seja o que for. Que sentido faz um Estimado todo-poderoso que tudo pode e nada faz? Sentido nenhum. Ora, em fazendo seja o que for, o Estimado acabou de criar um tudo, por contraposição ao nada que até aí existia (sem desprimor para o Estimado, que para além de todo-poderoso é pré-existente, mas que se nada fizer para todo o sempre ficará, também para todo o sempre, um Estimado completamente anónimo e deslocado, para não lhe chamar inútil e calão, que não são coisas que se chamem a um Estimado). Suponha agora o Estimado, para terminar o parágrafo e passarmos então à Terra-média, que, ao fazer a tal primeira coisa, a que estamos a chamar Tudo por uma questão de simplificação, o Estimado se deixa levar pelo entusiasmo e desata a criar mais isto e mais aquilo. Para além de estar a lançar as raízes mais profundas da expressão 'tudo e mais alguma coisa', o Estimado estará a enriquecer com pormenores o tal universo que criou no início. Basta que, no meio desses pormenores, o Estimado conceda a uma determinada espécie o dom de falar e de criar para que, mais cedo ou mais tarde, essa espécie se ponha a dar nomes às coisas. E, como diria o António Vitorino, aposto que as criaturas irão chamar Universo ou Eä ou coisa do género ao tal Tudo e Arda ou Mundo ou Terra ou Earth ou assim ao cantinho onde o Estimado decidir instalá-las.

Quarta e última parte (eia! eia!): a Terra-média. Supondo que o estimado (agora de novo com minúscula, se não se importa, acabou-se a fantasia de o estimado ser um deus todo-poderoso, lamento muito), supondo então que o estimado leitor não-iniciado acompanhou estes chamemos-lhe raciocínios até aqui, não vou insultar a sua inteligência insinuando que o estimado ainda não deduziu que, sendo Eä o Universo e Arda o Mundo, a Terra-média há-de ser uma espécie de continente desse mundo. E não é que é mesmo? É difícil esconder seja o que for ao estimado! Omnisciente, o estimado, quase me atreveria a dizer.

Posto tudo isto, resta apenas saber o essencial: a que diabos vem esta conversa toda sobre a Terra-média e demais tolkienices? Pura e dura mania de ser do contra, estimado. Ontem era Dia da Terra no Google, era Dia da Terra no YouTube, era Dia da Terra em todo o lado. Aguentei-me, malhei um nadinha no Vitorino só para não enferrujar e mantive-me sossegadito em relação ao Dia da Terra, para não ofender ninguém. Mas hoje já não é Dia da Terra, graças ao Estimado (chamemos-lhe assim, pelo menos até ao fim do texto, se o estimado não se importa). A protecção da porcaria do planeta virou religião nos piores sentidos do termo. Entre um fundamentalista islâmico, um fundamentalista cristão, um fundamentalista judeu e um fundamentalista ambiental, venha o Estimado, ou o seu pior inimigo, e escolha. Eu não sou capaz.

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* Ilúvatar é também referenciado como Eru, mas isso é o tipo de coisa que não ajuda a credibilizar A Obra junto dos não-iniciados, tal como o pormenor de que o marido da Galadriel, que acabou por ficar conhecido por Celeborn (se lhe der para ler isto em voz alta é favor pronunciar Kéléborn), nos primeiros rascunhos surgia com o algo duvidoso e muito pouco élfico nome de Teleporno.

22.4.08

Vitorino ao vivo

Confesso que o António Vitorino me causa frenicoques. Aquele arzinho de Himmler simpático e aquela refinadíssima técnica de exposição do óbvio como se estivesse a revelar o segredo da receita da Coca-Cola nunca deixam de me provocar náuseas. Quando o homem aparece em dupla com a inenarrável Judite de Sousa, o masoquista que há em mim prefere encharcar-se de compensans e ver aquilo a tomar a elementar medida de mudar para o Panda ou para o Eurosport. Nós, os humanos, somos assim, vá lá perceber-se porquê.

Diria que, até ontem, nunca ouvi nada na conversa do Vitorino que me surpreendesse mais do que aquele estranhíssimo defeito da fala de que a Judite de Sousa parece ter a patente ou uso exclusivo, que consiste em trocar os érres pelos dês. É um número que me há-de fascinar sempre como se fosse a primeira vez, talvez porque nunca o vi executado por mais ninguém. Se me perguntarem dez minutos depois o que é que a mulher lhe perguntou ou o que é que o homem respondeu, garanto que não faço a mínima ideia. Ou melhor, até faço, não por me recordar mas porque qualquer um já sabe antecipadamente o que aqueles dois vão dizer, sejam quais forem as circunstâncias.

Tanto ele como ela são exemplares apurados de uma raça que sempre me desagradou particularmente: o marrão. Ela especializou-se na arte de nunca deixar nenhuma pergunta óbvia por fazer, ele na de dizer tudo o que possa não interessar a ninguém. Ela com aquele ar perscrutante, ele naquela pose mais nonchalant. Ambos exímios na arte de seguir, sem se desviarem um milímetro, o guião que estudaram exaustivamente, mantendo sempre uma aparência de espontaneidade. O imprevisto e o improviso devem ser o terror desta gente.

Ontem, não faço ideia porquê (mas não posso impedir-me de imaginar que é qualquer coisa na Judite de Sousa que lhe afecta as hormonas), o António Vitorino deixou escapar um indício da sua vida interior (sim, eu estou a admitir e a defender a tese de que o António Vitorino tem vida interior). Visivelmente entusiasmado com a crise no PSD, Vitorino não se conteve e revelou que já tinha apostado com vários amigos que o Menezes não chegava às eleições.

Como sinal de vida interior é fascinante, não? O Vitorino aposta (vá-se lá saber quanto, ou o quê) com pessoas (é bom nem tentar imaginar que tipo de pessoas) sobre estas coisas. Como exercício de análise política, vaticinar que o Menezes não chega às legislativas é do mais básico que há, e básico é coisa que o Vitorino não é (ou não quer parecer, o que vai a dar no mesmo, atendendo a que consegue não parecer). Mas daí a apostar, vai outra conversa. Vai uma aposta que o Jardim não acaba o mandato sem ir à tromba de alguém? Cem euros na Maria de Lurdes Rodrigues até ao Natal? Aposto quanto tu quiseres que a Carmelinda Pereira não depila os sovacos. E quanto vai uma aposta que o motorista do Cavaco é Testemunha de Jeová? Queres apostar que se o Sócrates me convidar para um cargo eu recuso, a não ser que me interesse aceitar? Dois euros em como a Ferreira Leite vem de saia-casaco. Aposto que o meu tacho é maior que o teu. A ver quem mija mais longe? Dez euros em como o Ribau nunca vai chegar a Presidente da República. Dez não, cem, que eu hoje estou maluco...

Nunca tive grandes dúvidas a este respeito, mas ontem tive a confirmação plena: gente como o Vitorino vibra genuinamente com as intrigas de corredor. O que o excita (para além, possivelmente, da Judite de Sousa) não é o eventual benefício para o PS da crise do PSD, é a crise em si. Porque, como já se provou várias vezes, o benefício do PS lhe é totalmente indiferente e porque, como qualquer marrão que se preze, o que realmente o motiva é mostrar que sabia e o que menos lhe interessa é a matéria em si.

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Apostei comigo próprio que ia resistir à tentação de fazer graçolas sobre as características físicas do Vitorino. E vou ganhar a aposta. Basta não acrescentar que o Vitorino é um altíssimo expoente da baixa política. Oh! Perdi...

15.4.08

5 Anos de Tradução Simultânea

Altered Images - Happy Birthday (1981)

Parabéns e what not, old blogger.

11.4.08

Pó que m'avia de dar

Há meia dúzia de posts atrás, criticando um pormenor de um anúncio, afirmei que não era meu hábito criticar anúncios. A esse post seguiu-se imediatamente outro, em que critiquei outro aspecto do mesmo anúncio. Agora vou dizer mal de outro anúncio.

Será que estou a mudar de hábitos? Na minha idade? Não me parece. A explicação mais simples é quase sempre a melhor e, neste caso, a explicação mais simples é que não se me ocorre mais nada e também não me apetece não postar. Postarei, pois.

E o anúncio é... aquele que apanho e que me apanha a mim na TSF. Categoria Spot de Rádio, portanto. Uma categoria onde a luta pela inanidade é renhida, mas na qual, mesmo assim, há sempre quem se consiga destacar. E o anúncio é... aquele da Sales Force Search (se é que é assim que se escreve) que reza assim:

Se no tempo de Jesus Cristo nós já existíssemos Judas nunca teria sido apóstolo.

Esta é a catch-line (esta agora talvez fosse escusada, mas se um homem que é do métier não mete um estrangeirismo de vez em quando ainda se arrisca a ver o seu know-how questionado) que, diga-se, cumpre bem uma das suas funções essenciais: chamar a atenção do estimado ouvinte. Não fora isso e seria apenas mais um entre tantos, sem qualquer hipótese de vir parar ao Desinfeliz, que, como é sabido, não tem por hábito criticar anúncios.

Outra função que a citada catch-line cumpre razoavelmente bem é a de introduzir o tema. Não se limita a chamar a atenção, não é um efeito super-especial ou uma anedota gratuita, o que, em termos de economia narrativa, é muito vantajoso. Porque, no caso do espaço publicitário, a economia narrativa traduz-se directamente em economia de pequenas pipas de euros. Ou seja: as anedotas gratuitas e os efeitos super-especiais não têm mal nenhum em si, são é uma forma mais cara de chamar a atenção. Introduzindo o verdadeiro tema (não lhe vou chamar o reason why para não exagerar nos estrangeirismos e porque, hélas, em rigor não é de reason why que se trata) ao mesmo tempo que chama a atenção dos desinfelizes que pastam na 2ª Circular a caminho dos empregos, a invocação de Jesus Cristo e dos apóstolos não é publicitariamente vã.

Por esta altura é natural que o estimado leitor vocifere baixinho: quando é que este gajo se deixa de oxímoros forçados e merdas e começa, finalmente, a dizer mal do anúncio? É já. É agora.

Vamos dar de barato a questão geral do uso da religião para fins publicitários (eu dou a questão de barato; o estimado leitor, em querendo pronunciar-se por escrito, é ir aqui abaixo ao pé do lapinhos e ajuntar o seu comentário). Se o anúncio fosse bom, no sentido de ter uma boa ideia ou no sentido de explorar muito bem uma ideia qualquer, boa ou má, aplicava-se-lhe a Lei de José, o Alfredo, e prontos, ficava perdoado e abençoado. Lamento, mas não é o caso.

Ao escolher Judas como exemplo de alguém que não passaria no crivo da Sales Force Search, alguém se esqueceu de um pequeno pormenor: quem escolheu Judas como apóstolo foi o próprio Jesus Cristo. A outra única interpretação possível é ainda mais radical: Deus-pai escolheu Judas como apóstolo do Filho. A inferência lógica é que, se o Senhor tivesse tido a elementar prudência de ter feito com que a SFS existisse na época e lhe tivesse adjudicado a tarefa de recrutar os apóstolos, os lamentáveis acontecimentos que culminaram na Cruz e na Ressurreição não se teriam dado. Em confiando tão difícil tarefa à Sales Force Search, e não ao próprio Pai, Jesus poderia ter continuado a pregar e a profetizar tranquilamente durante mais uns anos e teria evitado o fiasco em que acabou por cair. Jesus e o Pai, em boa verdade, eram uns otários. A Sales Force Search é que sabe.

Claro que os senhores da Sales Force Search podem ter achado que ninguém ia levar a sério a sua comparação (não os aconselho a seguir a mesma estratégia de comunicação em países islâmicos, mas quem sou eu para dar conselhos). Só que, mesmo num país de brandos costumes e de católicos não-praticantes, seja lá isso o que for, corre-se sempre o risco de desagradar profundamente a alguém quando se escolhe a religião como assunto de conversa sem ter a mínima noção do que se vai dizer. E esse alguém pode ser o putativo cliente (para não lhe chamar target, coitado) e não apenas um Desinfeliz que nem baptizado é e que vem para aqui escrever coisas.

E se o Tio Adolfo invadisse o inferno

"If Hitler invaded hell, I should at least make a favourable reference to the Devil in the House of Commons."

Churchill dixit, claro. Who else?

O homem estava do lado de lá das atlânticas águas, a tentar convencer o Tio Sam a entrar finalmente na festa e a dar uma ajuda ao Ti Zé, o dos Bigodes, que tinha acabado de levar com o Tio Adolfo. Ou seja: a Alemanha tinha entrado pela União Soviética adentro e a Grã-Bretanha estava cada vez mais sozinha a dar luta ao Eixo do Mal. Ou o homem conseguia convencer os Estados Unidos a deixarem-se de neutralidades ou a história acabava certamente mal, e provavelmente depressa.

Nos Estados Unidos, ajudar os comunas não era propriamente uma ideia fácil de engolir. Daí a imagem do inferno, para que até um americano entendesse aquilo que, na altura, parecia que só mesmo os ingleses estavam a entender e só mesmo Churchill era capaz de explicar:

"We have but one aim and one single irrevocable purpose. We are resolved to destroy Hitler and every vestige of the Nazi régime. It follows that we shall give whatever help we can to Russia and the Russian people."


Há situações assim, em que as coisas são como são. Ou são brancas ou são pretas. Situações em que os cinzentos não se aplicam. O que nem sempre aparece, nessas situações, são homens capazes de ver o óbvio e fazer unicamente o que tem que ser feito, contra tudo e contra todos. Contra os cinzentos, especialmente.

9.4.08

Abruptos bons dias




O incrível país da minha tia,
trémulo de bondade e de aletria.


* * *

A noiva já de noiva, a noiva na igreja
e tu não encontras os atacadores!


* * *

Com o hálito
já desfiz alguns bailes
Afinal seria bem fácil
dominar o mundo


(Com o devido reconhecimento ao Pacheco, o Pereira, pela inspiração, e vénia ao Alexandre, o Grande, o O'Neill, pela transpiração)

7.4.08

Dúvidas sobre o acordo ortográfico (4)

Se a forma de pronúncia da maioria dos falantes é a referência, deverei passar a escrever 'salchicha'?

Dúvidas sobre o acordo ortográfico (3)

Se as consoantes mudas caem porque não se lêem, a palavra 'ato', até aqui grafada como 'acto', deve passar a pronunciar-se com o 'a' fechado, como em 'atoarda'?

Dúvidas sobre o acordo ortográfico (2)

Se o acordo entrar em vigor a Optimus passa a Otimus?

Dúvidas sobre o acordo ortográfico (1)

Se, de acordo com o acordo, a pronúncia passa a valer como fonte de grafia, o pessoal do Porto vai passar a escreber campeõ em vez de campeão?

4.4.08

Hámais erros


Alguém me chamou a atenção para a existência de mais um erro no headline do tal outdoor do dinossauro. Por acaso o alguém fui eu próprio e o erro na realidade são dois, mas iguais, ou seja, é um só erro que aparece duas vezes. Fique registado que havia muitas razões para deixar passar este, e de momento nem sequer me ocorre nenhuma para o apontar. Mas agora já não dá para meter marcha-atrás.

O erro encontra-se e volta a encontrar-se logo na primeira linha, antes de chegar à frase já anteriormente dissecada:

Grandes demais, pesados demais.


Não é nada degrave, claro, mas o certinho direitinho seria:

Demasiado grandes, demasiado pesados.

Ou talvez:

Grandes de mais, pesados de mais.

Sem querer elevar escusadamente o nível da conversa, o facto é que demais é um advérbio que significa além disso, os/as restantes, e não demasiado, em excesso, ou à ganância, como coloquialmente dizemos, mercê de descontraídas influências brasileiras (cara, cê é demais, poderá estar algum leitor a pensar neste preciso instante, ofuscado com tamanha sapiência, argúcia e mesmo sacanagem, pois não me canso de repetir que esta do demais é completamente de somenos, para não lhe chamar pintelhice, que é o que é).

Acabo de me lembrar de uma razão para estar aqui a chibar-me de mais este erro (perfeitamente inofensivo, como talvez já tenha insinuado): não me parece que o nível de linguagem pretendido, não por mim mas por quem escreveu o headline, seja o coloquial. Ou seja: os erros que a gente damos voluntáriamente não contam (talvez até se pudesse chamar a isto a Lei de José, o Alfredo). Se, derivado ao efeito que se pretende de atingir, a malta damos erros, azarucho. Ou será qué azaruxo? Não mimporta. A liberdade de expressão pode e deve incluir o direito ao erro. Se esperam que eu passe a escrever incorretamente em vez de escrever como deve ser, se querem que eu abdique da correcção só para ficar bem com o aborto orográfico, desenganem-se. Se querem acentos no i do video, não contem comigo. Dossiers sem érre e com acento circunflexo, eu? Nada disso. Eu, como qualquer gajo normal, também gosto de dar o meu errito. Mas errar involuntariamente, por humano que seja, não dá prazer nenhum. A Lei de José, o Alfredo, considera que a prevaricação, em sendo deliberada e consciente, está mais do que desculpada e é um direito inalienável.

Ufa tela eco ando uzê ruscapam çem crer, ia té xegam adificoltar eis trema menta leituraspe soas. Içé quéfo dido.