Os meus desejos eram o que eram. A realidade, essa inesgotável caixinha de surpresas, foi que:
1. O Manchester, mesmo sem as camisolas encarnadas, parecia mesmo o Benfica (o Benfica de Quique, mais concretamente)
2. O Cristiano Ronaldo parecia mesmo o Cristiano Ronaldo (o da selecção)
3. O Ferguson esteve de tal modo ao nível Quique que o árbitro nem teve que fazer nada para ajudar o Bardajona
3a. Partindo do princípio de que o Messi tinha os sapatos todos calçados quando marcou o golo (não me apeteceu ver o jogo com muita atenção, quanto mais as repetições)
3b. Partindo também do princípio de que um golo de cabeça do Messi não é sinónimo de jogo perigoso
4. Para gáudio dos amantes da modalidade, o Bardazona ganhou o seu terceiro caneco de campeão europeu (ultrapassando assim o Benfica, o que é triste)
5. (e o Febóquelupârto também, que é o que é)
6. Apesar de várias tentativas bem intencionadas, ninguém foi capaz de partir uma perna ao Puyol
7. Por todas as razões acima expostas foi uma porcaria de uma final
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"Pode ser que sim. Pode ser que não. Não posso garantir." - in Astérix, A Volta à Gália
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28.5.09
27.5.09
Se não fosse pedir muito...

Ao contrário dos famosos prognósticos, que se guardam sabiamente para depois dos jogos, os desejos só têm sentido se se exprimirem antes. Cá vão então os meus:
1. Que o Barcelona brilhe intensamente
2. Que o mundo do futebol se babe incontidamente com o fulgor, a magia e a arte do Barcelona
3. Que, para além do Messi, do Henry, do Xavi, do Iniesta, do Eto'o e dos outros todos, também o árbitro ajude o Barcelona, como lhe compete
4. E que os árbitros assistentes, e o próprio quarto árbitro, não se esqueçam de fazerem o que puderem pelo Barcelona
5. Que os postes e a barra da baliza do Manchester fiquem negros de tanta bolada tão lindamente esbarrada nos mesmos
6. Que no fim ganhe o Manchester United
7. Que isso seja com um golaço do Ronaldo e/ou uma desatenção do árbitro e/ou um frango de todo o tamanho
8. Ou então nos penáltis
E é só isto que eu desejo para o embate. Se não for possível isto tudo, abdico tranquilamente dos cinco primeiros desejos e dos dois últimos. Desde que o Barcelona perca, por mim tudo bem.
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18.5.09
Grandes môces!

Cantemos todos a hora é de Festa
O Olhanense vamos apoiar
Não há alegria maior que esta
A nossa equipa unida a jogar
Jogaremos mais e melhor
Lutaremos com arte, alegria
E sentiremos de novo o ardor
Do renascer da alma Algarvia
Olhanense, Olhanense, à vitória
Bradam vozes das gentes de Olhão
A nossa força é a nossa história
És nosso clube, nosso campeão

E com saudade alguns recordamos
Os passados momentos de glória
Com muito treino e coragem façamos
Brilhar de novo a chama da vitória
Olhanense em ti confiamos
Tens contigo o calor da mocidade
E orgulhosos todos te aclamamos
Tu és a alma da nossa cidade
Olhanense, Olhanense, à vitória
Bradam vozes das gentes de Olhão
A nossa força é a nossa história
És nosso clube, nosso campeão
9.5.09
QuiqueOff
Hoje estarei de regresso à Luz, após um breve parêntesis de duas ou três jornadas. Levo todos os apetrechos necessários: cartão de sócio, que é também de ingresso nas instalações, cachecol, dose generosa de pachorra, lenço branco e colecção de pequenos cartazes. Nesses cartazes o que se pretende é manifestar o apoio ao clube e à própria modalidade. Aqui ficam alguns exemplos que, a serem postados num blogue de maior frequência e audiência, poderiam até inspirar mais aficionados e criar uma espécie de twitter gigante no terceiro anel:
QUIQUEOFF
FREEQUIQUE
QUIQUERUN
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QUIQUEOFF
FREEQUIQUE
QUIQUERUN
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19.3.09
Quique, o Flores

Devo confessar, se é que nunca o fiz, que fui um dos que começaram por acreditar. Acreditei, talvez num caso clássico de wishful thinking, que o homem gostava de bola e percebia de bola. Ali por alturas dos jogos em casa com o Nápoles e com o Zbordn, para além dos resultados agradáveis, ficou a nítida sensação de que estávamos a começar a jogar à bola. Depois foi o que se viu.
Confesso que, ainda antes disso, comecei por ir atrás da conversa. Creio mesmo que terá sido isso, a conversa, que cativou o Rui Costa. Aliás, passada quase uma época inteira, não vejo o que mais pode ter sido. Agora, já deu para perceber que nem a conversa se aproveita.
Que o homem afinal percebe muito menos do assunto do que o Benfica deve exigir a um apanha-bolas, quanto mais ao treinador, foi-se tornando penosamente evidente jornada a jornada. A passagem pela Taça UEFA foi pura e simplesmente patética, e mais ainda se se pensar que tudo começou com a tal noite quase épica do afastamento do Nápoles.
Aquela coisa de jogar com dois trincos contra quem quer que seja pode ser uma óptima solução para o Benfica de Castelo Branco, sem desprimor, mas nem isso é garantido. Para o Sport Lisboa e Benfica é que não é, certamente. Ainda por cima quando, atrás disso, vem o desaproveitamento do Ruben Amorim. E, atrás deste, o esbanjamento do Aimar no lugar que devia ser o do Nuno Gomes, que, por sua vez, passou a ficar no lugar que devia ser o do ponta-de-lança preferido, ou seja, respectivamente, o banco e o Suazo.
Dos casos do Léo e do Quim seria melhor nem falar, tal a náusea que me provocaram logo de início. Não contente com deitar para o lixo o único lateral de verdadeiro nível que tivemos nos últimos anos, o homem conseguiu queimar nesse lugar um dos óptimos centrais que tem à disposição. E ver o Moretto outra vez na baliza era coisa que não lembrava nem aos Super Dragões.
Tudo isto existiu, tudo isto é triste, mas o pior de tudo é a cobardia. A cobardia dos dois trincos é exasperante, mas a malta, ao longo destes últimos anos, já viu tanta coisa que podia pensar que era apenas estupidez, e não cobardia. Semana após semana, vi o Benfica ter medo do Estrela da Amadora, do Setúbal, do Nacional, do Paços de Ferreira, e tudo isto na Luz. Estranho. Mas quando a coisa chegou ao ponto do regozijo com o empate no Dragão, da maneira que foi, toda e qualquer réstia de tolerância acabou. Até para a estupidez há limites.
Claro que ter medo do Zbordn em Alvalade, a pontos de deixar o Zbordn brilhar e só não chegar à cabazada por alguma falta de sorte, também não ajudou. Mas o bichinho do matematicamente possível foi sempre adiando o cada vez mais justificado e necessário lenço branco.
Agora até o matematicamente possível foi às urtigas. Não na matemática pura, aí ainda não. Mas, na matemática aplicada à bola, as possibilidades de o Benfica ser campeão são exactamente as mesmas de o Leixões ser campeão, ou de um árbitro marcar um penálti contra o Febóquelupârto. E nem é tanto por termos perdido com o Guimarães, porque se fosse só isso ainda se aplicava o princípio do matematicamente possível. É pela maneira como foi e, mais ainda, pela conversa depois do jogo.
A substituição do Cardozo pelo Nuno Gomes é horrível, mas não era nada que não se esperasse. Vir dizer, com ar de virgem ofendida, que eu e os outros quarenta e oito mil otários tínhamos assobiado o desgraçado do Cardozo, e não a cobardia da substituição, é duplamente cobarde, é nojento e não tem desculpa. Minha, pelo menos, já não tem nem voltará jamais a ter.
Espero que o Rui Costa e o Vieira se deixem de flores e não demorem demasiado tempo a tratar o homem pelo que o homem é: Quique, o Cobarde.
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15.3.09
Ontem, hoje e amanhã
Ontem, na Luz, acabou-se. Custa dar os parabéns ao Febóquelupârto, mas o que haja de fair play nas profundezas da desilusão assim o impõe.
Já hoje, logo pela fresca, no José Arcanjo, quatro secos ao Portimonense, incluindo hat-trick de Djalmir, dos de letra, com os três seguidinhos, praticamente garantem a subida do Olhanense, se bem que o título ainda não.
É assim a vida. O mais chato é não se poder exterminar o Flores.
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Já hoje, logo pela fresca, no José Arcanjo, quatro secos ao Portimonense, incluindo hat-trick de Djalmir, dos de letra, com os três seguidinhos, praticamente garantem a subida do Olhanense, se bem que o título ainda não.
É assim a vida. O mais chato é não se poder exterminar o Flores.
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16.1.09
Mais um temporariamente farto
14.1.09
Blogue temporariamente farto

Farto de quê? Farto de certas merdas, para ser sincero.
Farto da merda da conversa do Paulo Baptista, por exemplo. Então e o Pedro Henriques? Então e o Olegário? Então e o Xistra? Então e o Xistra outra vez? Então e o Baptista Lucílio? Então e o outro Rui Costa? Então os outros todos, não contam?
Farto da conversa do fiscal de linha do Paulo Baptista. Alguém que me corrija se eu estiver errado, mas não é o mesmo gajo que foi capaz de não ver o golo do Petit? Não é o mesmo Houdini que conseguiu transformar um dos maiores frangos do Baía em coisa nenhuma? Vão lá aos arquivos e depois falem comigo. Ou não.
Farto de ouvir dizer que o fora-de-jogo é nítido e é escandaloso. Eu estava lá e não vi nada, só soube que tinha sido fora-de jogo quando as pessoas que estavam a ver as imagens paradas na televisão começaram a mandar mensagens a alertar para o escândalo. Depois, em chegando a casa, vi as mesmas imagens paradas. Sim, é fora-de-jogo, e não, não me parece estranho que com aquela molhada toda pela frente um gajo que não viu o golo do Petit não consiga ver que foi o David Luiz que marcou e que o mesmo David Luiz tinha estado momentaneamente ligeiramente adiantado alguns instantes antes. Vão dar banho ao cão.
Farto da conversa do campo inclinado, do penálti do Luisão (ainda não consegui ver uma imagem que mostre que é penálti), e por outro lado se for o Suazo já não conta, e que sendo o Di Maria também não devia ser penálti, quanto mais não fosse porque o Di Maria, para além de jogar pelo Benfica, festejou a obtenção do penálti (esta conversa, no caso do Oliveira e Costa que não é o que está preventivamente detido e que não se nega a prestar declarações, chega ao ponto de o Paulo Baptista ter perdoado um amarelo ao Di Maria por simulação, mesmo tendo o penálti sido assinalado!). Eu o que vi lá no campo foi o Paulo Baptista a marcar faltas o tempo todo, sempre que alguém do Benfica entrava em qualquer espécie de contacto com alguém do Braga. Se o homem tivesse uniformidade de critérios, o sujeito do Braga que derruba o Di Maria tinha levado vermelho directo. Vão-se catar.
Farto da conversa do Calabote e do clube do regime. O Calabote, que eu saiba, a única coisa que fez foi prolongar algo exageradamente os minutos de compensação. Que eu saiba, foi castigado por isso. E, que eu saiba, o Febóquelupârto foi campeão nesse ano. Porquê o estigma todo, passado tanto tempo? Por causa da merda da conversa do clube do regime. O clube do regime, que foi das poucas instituições genuinamente democráticas que existiram durante todo o tempo da merda do regime. O clube do regime, aquele cuja cor das camisolas tinha que ser sempre referida como encarnada e nunca como vermelha, não fosse haver confusão com outra merda de regime qualquer. O clube do regime, a pata que os pôs.
É desse tipo de merdas, quase tanto como da aflitiva falta de futebol patente no Benfica, que eu estou fartinho. Claro que também estarei farto de outro tipo de merdas, coisas de outros terrenos e de outros jogos, mas dessas ninguém sabe nem tem que saber.
Que se lixe.
Hoje vou ver o Benfica. Hoje vou ver o Olhanense. Pode ainda dar-se o caso de amanhã dizer que ontem vi o Maradona. E vou ver a minha filha a ver isso tudo.
Hoje é um fartote.
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8.1.09
Como é que é possível?

Está visto que no futebol não há impossíveis. Exemplo: desde que do outro lado esteja o Luís Filipe, até uma equipa com o Moretto pode ganhar.
Na próxima jornada (4ª feira, 14) é que são elas: o líder Olhanense vem à Luz e, que eu saiba, não há lá nenhum Luís Filipe. Mas também ninguém pode garantir ao Olhanense que o Moretto joga...
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27.11.08
5 no Pireu

A possibilidade de as coisas correrem mal existia. Façam o favor de notar, no post anterior a este (que não perde nada da sua validade), que até tive o cuidado de dizer que podiam correr muito mal. E assim foi.
Que dizer de uma destas? Não muito. Três coisinhas apenas, ficando a mais importante para o fim. As outras duas podem ser vistas como chalaças, mas a última é um assunto muito sério.
1) Ficámos apenas a um de empatar com o Zbordn nesta jornada, equilibrando o facto de o Olympiakos não ser o Barcelona com o não menos facto de termos jogado fora e o Zbordn em casa. Acresce que, tecnicamente, as nossas abébias não são consideradas autogolos e tivemos um anulado (por acaso não vi, mas posso garantir que deve ter sido muito mal anulado).
2) Pode ser que se confirme a teoria de Jesualdo, segundo a qual as derrotas são um factor essencial no crescimento das equipas. Nesse caso, Quique Sánchez Flores demonstra uma invulgar mestria na calendarização dessas necessárias derrotas, que concentra sabiamente na UEFA. Falhou em Berlim, onde só conseguiu perder dois pontos, mas imediatamente corrigiu com os turcos e agora aperfeiçoou com os gregos. Para acelerar o crescimento da equipa já só falta uma convincente derrota caseira com os metalo-ucranianos. Eu sei que não é fácil, mas para as equipas em processo de crescimento não pode haver impossíveis.
3) O Benfica, contra as mais elementares regras do bom senso e do bom gosto, voltou a jogar (chamemos-lhe assim) de calções pretos, o que invariavelmente nos leva à sportinguização das exibições e dos resultados.
Disse.
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Noite negra

Noite negra em Bombaim (vão-me desculpar, mas eu, em podendo, evito os Mumbais e os Beijings). Mas, sobre coisas destas, o que dizer? O choque, o espanto, o horror, o nojo, a raiva, tudo se mistura numa única reacção: o silêncio.
Noite negra, também, em Alvalade. Mais concretamente, no Alvalade, à Churrasqueira. Não aconteceu a única coisa que seria boa para a humanidade — o Barcelona perder. Em termos de resultado, aconteceu normalidade e futebol. Mas a forma como aconteceu, senhores...
Claro que seria mais avisado guardar isto para amanhã, não vá a excursão ao Pireu correr muito mal. Mas nem a maior das tragédias que aconteça hoje pode apagar aquele episódio Monty Pythoniano de ontem.
Não tendo visto a totalidade do episódio, perdi cenas de raríssima beleza. Diz que o tribunal de Alvalade, já em plenos 2-5, assinalava com vigorosos olés uma ou outra troca de bola dos seus defesas. Ao que os estupefactos culés (pouquíssimos, como sempre fora do seu nicho) respondiam imediatamente com olés (imediatamente porque, como é natural, as referidas trocas de bola entre jogadores do Zbordn eram de muito curta duração e o mais habitual era serem os do Bardazona a trocá-la entre si). O tribunal de Alvalade recorreu então a outra palavra de ordem para, de alguma forma, chatear os outros. Entoou-se, então, o nome de Figo, com aquela boa disposição só ao alcance de quem está a levar cinco em casa. Os outros, que eram poucos mas aparentemente bem informados sobre os pontos fracos dos locais, responderam por sua vez com sonorosos Benfica.
Isto foi o que eu, infelizmente, não vi. O que eu vi, ao nível do resumo, foi: um óptimo golo (o do Veloso), o que, em sete, não é grande coisa; duas baldas das defesas que deram ao Messi e ao Liedson oportunidades para, respectivamente, uma assistência e um golo; dois autogolos, qual deles o mais ridículo; uma ciganice, daquelas em que o Bardajona é pródigo, que dá golo ao Messi; um penálti possivelmente ainda mais ridículo que os autogolos e tão mal marcado que devia contar como autogolo, porque até entrou.
Isto foi o que eu vi. Atendendo a que as vitórias do Barejona me desgostam e as derrotas do Zbordn, só por si, não me alegram, não gostei. Teria preferido ver e ouvir, com os meus próprios couratos, a meia dúzia de excursionistas do Batatona aos gritos de Benfica Benfica Benfica nas traseiras da churrasqueira, numa noite negra.
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6.11.08
Há que dar mérito ao dragão
Era preciso o segundo golo? Marcou-se o segundo golo, pois então. Não se deixando perturbar pelo lugar pouco habitual que ocupa na Liga, esta vitória a meio da semana coloca o clube de novo entre os grandes.
Sai uma Carlsberg fresquinha pelo Olhanense, com o reconhecimento devido a Jorge Costa!
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Sai uma Carlsberg fresquinha pelo Olhanense, com o reconhecimento devido a Jorge Costa!.
3.11.08
Homens de Olhão à proa da canoa
Do que se passa na Liga da Cerveja toda a gente sabe. O Desinfeliz tenta, sempre que possível, divulgar o que vai acontecendo na muito menos mediática Liga da Água.Ora o que se passou este fim-de-semana na Liga da Água é ainda mais brilhante do que os paralelos acontecimentos na divisão cervejeira: o Olhanense deslocou-se ao Barlavento (as gentes locais chamam a esta visita a Invasão de Portimão, que veio suprir a falta das saudosas Invasões de Faro nos actuais calendários desportivos, derivado ao gigantesco trambolhão do Farense) e veio de lá com belíssimo 3-2. Isto no sábado. No domingo todos os restantes empecilhos (Santas Claras, Sportings das Covilhãs, Boavistas, Varzins e afins) encarregaram-se de empatar ou perder. Resultado: à sétima jornada o Olhanense é líder destacado (destacado por um ponto inteiro) da Liga Vitalis.
Se isto não acrescenta beleza ao Mundo, não sei que mais posso fazer. Se fosse cidadão americano, poderia e votaria Obama. Sendo tuga em regime de exclusividade, só posso deixar aqui o meu tributo aos Heróis do Mar que intrépidos lideram as tabelas dos respectivos elementos líquidos (os de Olhão e os de Matosinhos).
27.10.08
2 em 1 (ou mais)
Ganhar por 2 a 1, na mesma jornada em que o comandante perde por 3 a 2 e o rival Sporting empata, não é bom. É óptimo. Mas foi isso mesmo que aconteceu ao Olhanense: 2-1 na Vila das Aves, com o líder Santa Clara a perder em Barcelos por 3-2 e o Sporting da Covilhã a empatar (1-1, em casa, com o Freamunde).Isto na Liga da Água, porque na Liga da Cerveja foi tudo completamente diferente: o Febóqueluporto perdeu por 3-2 mas foi em casa, o Zborden da Padre Cruz empatou mas foi a zero e o Sport Lisboa e Benfica ganhou por 2-1 mas só alguém manifestamente desrespeitador do bom nome das instituições pode dizer que foi na vila das aves.
E por falar em aves, a jovem Vitória, talvez antecipando o que se ia ver durante os 90 minutos, executou na perfeição uma apertada meia volta sobre a asa direita e saíu pelo caminho mais curto. Sábia Vitória.
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16.10.08
Não, o Paranormal nunca será perdoado

Os desvarios do PREC não acrescentaram virtudes à Outra Senhora. As agruras do pós-guerra nunca trouxeram saudades do Tio Adolfo. O Terror não reabilitou o Absolutismo. Nem mesmo McCain, se fosse eleito, poderia alguma vez causar uma vaga de fundo a pedir o regresso de Bush.
Por muito mal que corram as coisas nesta fase de regresso à normalidade (e é difícil imaginá-las a correr pior) nunca me verão pedir o regresso do Paranormal. Aliás, está por demonstrar que uma boa parte da responsabilidade dos eventos actuais não deva ser directamente assacada ao Paranormal.
Quanto ao próprio Queirós, ser-lhe-emos eternamente gratos por isto.
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7.10.08
Mutatis mutandis (mais coisa, menos coisa)
Jogar com uns gajos do Porto, marcar por volta da meia hora da primeira parte e mesmo no fim levar o empate. Eis, resumidamente, a história dos dois jogos mais importantes da 5ª jornada. O da Liga da Cerveja, por ter tido transmissão em canal aberto, fica ao critério de cada um. Eu vou pelos ensinamentos do velho mestre Trapattoni: da maneira que foi, um ponto é melhor que ponto nenhum. Já o da Liga da Água foi dirigido a um target muito mais seleccionado. Não se tendo estado no José Arcanjo, há que fazer fé na imprensa especializada: o Olhanense teve galo, o Boavista teve caga.

Esta é a pequena beleza do futebol (a grande beleza do futebol é quando o Benfica e o Olhanense ganham, naturalmente): histórias que se resumem nas mesmas palavras podem ser tão diferentes como a cerveja e a água.
2.10.08
Nojo

Finalmente tenho aquilo que muita gente tem no mundo dos afectos futebolísticos. Já tinha, de pequenino, o meu clube adorado. Fui coleccionando muitos outros de estimação, entre os quais um muito especial. Estou a falar, obviamente, do Benfica, do Olhanense e de uma data deles que me são simpáticos.
Claro que também vai havendo uns que não agradam particularmente, como o Febolquelupârto ou o Zbordn. Mas nem desses posso dizer que odeio ou que detesto. Não é verdade. Lamento muito mas não tenho nada de visceralmente contra o Febolquelupârto (não tenho vergonha nenhuma de recordar que até fiquei todo contente quando ganharam a Taça dos Campeões em 87 e também achei uma certa piada quando voltaram a ganhar agora com o Mourinho), e muito menos contra o Zbordn, (a sério, por vezes até chego a achar alguma piada ao Zbordn).
Ocasionalmente, há um ou outro clube que me desagrada durante um tempito, mas depois aquilo passa. Por uma razão ou por outra, foi o caso do Anderlecht, de quase tudo o que é clube italiano, da França, da Grécia, etc. Mas nada que me chegue a revolver as entranhas. Até ontem. Ontem, finalmente, um desses pequenos ódios de estimação desceu definitivamente à categoria de nojo profundo. Finalmente tenho um clube que vou odiar incondicionalmente para o resto da vida. Estou a falar do Barcelona.
Nunca gostei particularmente do Barcelona. Com tantos jogadores fenomenais que tem tido, chegou a haver uma altura ou outra em que até gostava de os ver jogar. Mas o clube, em si, nunca apreciei particularmente. Tudo começa, como em qualquer história, pelo princípio. E o princípio é o verbo, a palavra, o nome. Barcelona. Experimentem dizer isso três vezes seguidas. A única palavra acabada em ona que se pode usar com elegância, num contexto futebolístico, é Maradona. E eles tiveram-no lá. Só que devoram vedetas a um ritmo tal que o Maradona é mais um. Se se quer ver o que é adorar o homem como ele merece tem que se ir a Nápoles (ou à Argentina, naturalmente). Quando se diz Barcelona activam-se as mesmas partes do cérebro e do estômago que se usam para dizer badalhoca e matrafona (e por aqui me fico).
Depois há a questão das cores do equipamento. A conjugação daquele azul e daquele grená, se é que é assim que chamam àquilo, é de uma infelicidade notável. Outras combinações absurdas, como o azul e preto do Inter, chegam a parecer alegres por comparação com aquele empastelamento. Que me lembre, só há mais uma situação em que uma pessoa se depara com uma combinação de cores parecida: é nos sinais de proibição de estacionamento. O que, naturalmente, não traz associações positivas.
Os adeptos é o que se sabe. Uns cagons da pior espécie. Nos jogos fora só pelas cores se conseguiriam distinguir dos do Marítimo ou do Paços de Ferreira, nunca pelo aspecto quantitativo. Se o Desportivo de Chaves vier jogar à Luz o efeito nas bancadas é rigorosamente o mesmo, em termos cromáticos. Nos jogos em casa, onde se juntam mais de 100 mil de cada vez, conseguem o feito verdadeiramente único de impedir que equipas com vários dos melhores jogadores do mundo sejam campeãs de qualquer coisa, o que seria óptimo (para eles) se essas equipas não fossem justamente as deles.
Tudo isto sempre me desagradou no Badalhoca. Os penáltis também. Não há jogo daquela gente em que não se invente pelo menos um penálti a favor e/ou anule um contra. A única comparação possível, nesse aspecto, é com o Brasil. Até contra o pobre do Zbordn inventaram um penálti, não fossem os cento e vinte mil enervar as estrelas todas ao ponto de não conseguirem passar do 1-0 e sujeitarem-se a algum golo do Zbordn, como veio a acontecer.
Os últimos acontecimentos foram a gota d'aigua, a pena a mais que fez quebrar a espinha dorsal do camelo. O triste episódio dos boixos nois não teria sido mais triste do que qualquer outro que envolva os retardados mentais das claques de qualquer clube, não fosse o papel a que se deram os próprios jogadores. Um asco. Ontem, com aquela do não devolver a bola ao Shakhtar e aproveitar para empatar, pude confirmar aquilo de que já suspeitava: o Badalhoca mete-me nojo.
A partir de hoje posso viver o futebol na sua plenitude, tirando de todo e qualquer momento menos feliz do Badalhoca o mesmo prazer que tiro de um bom resultado do Benfica.
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29.9.08
Olhão mete água
Chuvas torrenciais em Olhão, com efeitos especialmente nefastos na Fuzeta e Alfandanga, impediram o Olhanense de se concentrar devidamente na tarefa que tinha em mãos (e pés). Mais preocupados com a segurança e o bem-estar das respectivas famílias e haveres, os moços sucumbiram perante o Varzim. Não sem antes se terem adiantado no marcador, note-se. Ao intervalo, valia o golo de Djalmir. Deve ter sido nessa altura que chegaram ao balneário as inquietantes notícias lá de baixo, envolvendo inundações e consequentes perdas de bens e de sossego. Na segunda parte, Toy arranjou maneira de acumular dois amarelos, provavelmente para poder ir mais rapidamente acudir a alguma situação de emergência, e o Varzim aproveitou-se para dar a volta e fazer 2-1.
Aqui fica o registo, para não dizerem que o Desinfeliz só aborda estes assuntos quando as coisas correm bem. Imaginem que o Olhanense tinha ganho com tudo a seu favor: a jogar em casa, contra o Portimonense, por exemplo, e que só dava 2-0. Em circunstâncias dessas, provavelmente o Desinfeliz nem tocaria no assunto. Nada disso. No Desinfeliz impera o fair-play e não se entra facilmente em euforias de celebração da normalidade.
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24.9.08
Trio reduzido a três
Isto não é nada meu hábito (nem meu nem de ninguém), mas acho que vou dizer bem de qualquer coisa e de alguém que nem sequer conheço. Peço desculpas a todos os desenvolvidos, até porque antevejo que isto pode alongar-se bastante, mas vai ter de ser.
Ontem, o Trio d'Ataque (creio que o apóstrofe não é apócrifo) acabou com uma substituição na posição de pivot. Saíu Carlos Daniel, entrou Hugo Gilberto. Dir-se-ia que foi troca por troca, e foi; que o Hugo Gilberto merece uma oportunidade, e não sou eu que vou dizer o contrário; que isto e que aquilo. Tudo muito certo. Mas nem o Trio d'Ataque é um programa como os outros nem o Carlos Daniel é um pivot como os outros.

Sem desprimor para o Hugo Gilberto, e muito menos para o Miguel Vítor, fiquei com a sensação de que este último tinha acabado de entrar para ocupar o lugar do Mozer ou do Ricardo Gomes. A coisa é a esse nível.
Para mim, o Trio d'Ataque foi durante muito tempo o único programa decente sobre bola. Mais que decente: óptimo. Dir-se-ia que muito do mérito cabe ao trio strictu sensu (Rui Moreira, António-Pedro Vasconcelos, Rui Oliveira e Costa — por ordem de entrada em cena, da esquerda para a direita). Dir-se-ia muito bem, mas não se diria tudo.
Dir-se-ia muito bem, quanto mais não fosse, porque nunca o Benfica tinha estado representado num destes painéis por alguém que não me envergonhasse um pedacito. António-Pedro Vasconcelos está à altura da responsabilidade, e só isso chegaria para elevar o nível de qualquer painel destes. Os três grandes com o único verdadeiramente grande dos três em sub-rendimento não tem grandeza nenhuma. Não vou citar nomes (o único que quero ressalvar é o de Leonor Pinhão, que muito me custa ter de meter no mesmo saco dos outros todos), mas em todos os restantes programas do género de que me lembro o/a representante do Benfica era uma espécie de Moreto ou de Bossio que estava ali mais para ajudar as partes contrárias do que propriamente para defender fosse o que fosse.
Os Ruis, o azul e o verde, por sua vez, conseguem algo de raro nas colectividades que representam, que é não deixar o seu anti-benfiquismo toldar-lhes totalmente o discernimento e falar de bola como as pessoas (não vou ao ponto de dizer que não são anti-benfiquistas, porque não quero ser acusado de incitamento à violência se por alguma razão os Super Dragões ou a Juve Leo vierem aqui e depois coiso).
Mas por muito bem que se tivesse dito isto tudo, não se teria dito tudo sobre isto. Ou seja: os atacantes são bons, porque são, mas só isso não me chega para me explicar o quanto tenho gostado de ver o Trio d'Ataque. O Kempes também era muito bom e o Canniggia não era nada mau, mas a malta lembra-se é da Argentina do Maradona. Os outros dez eram, todos e cada um, óptimos — mas era o Benfica de Eusébio. E o Portugal de Eusébio. A Alemanha do Beckenbauer. A Holanda do Cruyff. O Olhanense de Messi. Não há equipa nenhuma, daquelas que nos enchem, que não contenha um primus inter pares.
No Trio d'Ataque, esse alguém era inegavelmente o Carlos Daniel. Talvez por vivermos na época em que se discute com quantos trincos se deve jogar, ele tem sido o tal pivot dos sonhos de qualquer equipa. Não é ele que vai para as primeiras páginas, mas é ele que vai às dobras. Não marca mas dá a quem dá a marcar. Não é só ele que ganha mas é o único que nunca se perde. E não tem necessariamente que ser discreto ou invisível. Mesmo numa equipa em que brilha um Figo, um Rui Costa e um João Pinto, ele (o Carlos Daniel) é um Paulo Sousa. Até o Pacheco Pereira, se visse um jogo (perdão, um programa), perceberia de que é que eu estou a falar.
No caso concreto do Trio d'Ataque, vou um pouco mais longe. Vou ao ponto de dizer que o trio A-PV-RM-ROC não chega propriamente ao nível de um trio Figo-Rui Costa-João Pinto. Mas quem é que chega a esse nível? Será possível chegar lá, num simples estúdio de televisão, a dizer coisas? Creio bem que não. O trio A-PV-RM-ROC é o melhor possível, tanto no plano individual como em equipa, mas só consegue as exibições e os resultados que consegue porque há ali no meio um CD, esse sim, verdadeiramente genial (não, não há que recear o exagero nos adjectivos; o tema é bola e bola sem exaltação é curling, não é futebol).
O meu ponto é o seguinte: não chego ao absurdo de dizer que o Carlos Daniel conseguia agora pegar no Seara, no Aguiar e no Dias Ferreira e pôr aquilo a funcionar decentemente. O próprio Maradona, se tivesse lá o Fernando Aguiar (perdão, Seara), o Fernando (perdão, Guilherme) Aguiar e o Dias Ferreira (perdão), nunca teria conseguido chegar à final do Itália 90. Há limites para tudo. O meu ponto é que, com outro pivot qualquer, sem a tal qualidade Paulo Sousiana de Carlos Daniel, o trio RM-A-PV-ROC, ao invés de nos chegar a fazer recordar Figo-Rui Costa-João Pinto, poderia facilmente atingir um nível de Rentería-Pesaresi-Purovic.
Posto tudo isto, teremos então os Três Mosqueteiros sem o D'Artagnan, sem o único que daqui a umas dezenas de anos toda a gente recordará como O mosqueteiro. O homem diz que tem mais que fazer, que a RTPN agora não sei o quê e mais qualquer coisa que me escapou. Resta-me reprogramar o cérebro para deixar de evitar não fugir ao Domingo Desportivo, ou seja, lembrar-me de ver aquilo. Três craques não garantem uma boa equipa, ou o Benfica a esta hora já seria quase campeão, mas CD+LFL+JVP tem tudo para poder dar certo, apesar do nome... Domingo Desportivo... não terá ocorrido a ninguém dar outro nome àquilo?
Claro que também continuarei a ver o que se passa no Trio e posso até estar a cometer uma enorme injustiça no que toca ao Miguel Vítor (perdão, Hugo Gilberto). Mas o que é que querem? Deu-me para dizer bem do Humberto Daniel.
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Ontem, o Trio d'Ataque (creio que o apóstrofe não é apócrifo) acabou com uma substituição na posição de pivot. Saíu Carlos Daniel, entrou Hugo Gilberto. Dir-se-ia que foi troca por troca, e foi; que o Hugo Gilberto merece uma oportunidade, e não sou eu que vou dizer o contrário; que isto e que aquilo. Tudo muito certo. Mas nem o Trio d'Ataque é um programa como os outros nem o Carlos Daniel é um pivot como os outros.

Sem desprimor para o Hugo Gilberto, e muito menos para o Miguel Vítor, fiquei com a sensação de que este último tinha acabado de entrar para ocupar o lugar do Mozer ou do Ricardo Gomes. A coisa é a esse nível.
Para mim, o Trio d'Ataque foi durante muito tempo o único programa decente sobre bola. Mais que decente: óptimo. Dir-se-ia que muito do mérito cabe ao trio strictu sensu (Rui Moreira, António-Pedro Vasconcelos, Rui Oliveira e Costa — por ordem de entrada em cena, da esquerda para a direita). Dir-se-ia muito bem, mas não se diria tudo.
Dir-se-ia muito bem, quanto mais não fosse, porque nunca o Benfica tinha estado representado num destes painéis por alguém que não me envergonhasse um pedacito. António-Pedro Vasconcelos está à altura da responsabilidade, e só isso chegaria para elevar o nível de qualquer painel destes. Os três grandes com o único verdadeiramente grande dos três em sub-rendimento não tem grandeza nenhuma. Não vou citar nomes (o único que quero ressalvar é o de Leonor Pinhão, que muito me custa ter de meter no mesmo saco dos outros todos), mas em todos os restantes programas do género de que me lembro o/a representante do Benfica era uma espécie de Moreto ou de Bossio que estava ali mais para ajudar as partes contrárias do que propriamente para defender fosse o que fosse.
Os Ruis, o azul e o verde, por sua vez, conseguem algo de raro nas colectividades que representam, que é não deixar o seu anti-benfiquismo toldar-lhes totalmente o discernimento e falar de bola como as pessoas (não vou ao ponto de dizer que não são anti-benfiquistas, porque não quero ser acusado de incitamento à violência se por alguma razão os Super Dragões ou a Juve Leo vierem aqui e depois coiso).
Mas por muito bem que se tivesse dito isto tudo, não se teria dito tudo sobre isto. Ou seja: os atacantes são bons, porque são, mas só isso não me chega para me explicar o quanto tenho gostado de ver o Trio d'Ataque. O Kempes também era muito bom e o Canniggia não era nada mau, mas a malta lembra-se é da Argentina do Maradona. Os outros dez eram, todos e cada um, óptimos — mas era o Benfica de Eusébio. E o Portugal de Eusébio. A Alemanha do Beckenbauer. A Holanda do Cruyff. O Olhanense de Messi. Não há equipa nenhuma, daquelas que nos enchem, que não contenha um primus inter pares.
No Trio d'Ataque, esse alguém era inegavelmente o Carlos Daniel. Talvez por vivermos na época em que se discute com quantos trincos se deve jogar, ele tem sido o tal pivot dos sonhos de qualquer equipa. Não é ele que vai para as primeiras páginas, mas é ele que vai às dobras. Não marca mas dá a quem dá a marcar. Não é só ele que ganha mas é o único que nunca se perde. E não tem necessariamente que ser discreto ou invisível. Mesmo numa equipa em que brilha um Figo, um Rui Costa e um João Pinto, ele (o Carlos Daniel) é um Paulo Sousa. Até o Pacheco Pereira, se visse um jogo (perdão, um programa), perceberia de que é que eu estou a falar.
No caso concreto do Trio d'Ataque, vou um pouco mais longe. Vou ao ponto de dizer que o trio A-PV-RM-ROC não chega propriamente ao nível de um trio Figo-Rui Costa-João Pinto. Mas quem é que chega a esse nível? Será possível chegar lá, num simples estúdio de televisão, a dizer coisas? Creio bem que não. O trio A-PV-RM-ROC é o melhor possível, tanto no plano individual como em equipa, mas só consegue as exibições e os resultados que consegue porque há ali no meio um CD, esse sim, verdadeiramente genial (não, não há que recear o exagero nos adjectivos; o tema é bola e bola sem exaltação é curling, não é futebol).
O meu ponto é o seguinte: não chego ao absurdo de dizer que o Carlos Daniel conseguia agora pegar no Seara, no Aguiar e no Dias Ferreira e pôr aquilo a funcionar decentemente. O próprio Maradona, se tivesse lá o Fernando Aguiar (perdão, Seara), o Fernando (perdão, Guilherme) Aguiar e o Dias Ferreira (perdão), nunca teria conseguido chegar à final do Itália 90. Há limites para tudo. O meu ponto é que, com outro pivot qualquer, sem a tal qualidade Paulo Sousiana de Carlos Daniel, o trio RM-A-PV-ROC, ao invés de nos chegar a fazer recordar Figo-Rui Costa-João Pinto, poderia facilmente atingir um nível de Rentería-Pesaresi-Purovic.
Posto tudo isto, teremos então os Três Mosqueteiros sem o D'Artagnan, sem o único que daqui a umas dezenas de anos toda a gente recordará como O mosqueteiro. O homem diz que tem mais que fazer, que a RTPN agora não sei o quê e mais qualquer coisa que me escapou. Resta-me reprogramar o cérebro para deixar de evitar não fugir ao Domingo Desportivo, ou seja, lembrar-me de ver aquilo. Três craques não garantem uma boa equipa, ou o Benfica a esta hora já seria quase campeão, mas CD+LFL+JVP tem tudo para poder dar certo, apesar do nome... Domingo Desportivo... não terá ocorrido a ninguém dar outro nome àquilo?
Claro que também continuarei a ver o que se passa no Trio e posso até estar a cometer uma enorme injustiça no que toca ao Miguel Vítor (perdão, Hugo Gilberto). Mas o que é que querem? Deu-me para dizer bem do Humberto Daniel.
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23.9.08
Foi só por um, mas lá ganhámos
Pois é. Foi à rasquinha, foi quase de aflitos, foi pela diferença mínima, mas foi. Valeu o Messi. Sim, o Messi. Não esse outro em que podem estar a pensar, mas sim o africano. Georges Parfait Mbida Messi, natural dos Camarões, 28 anos, médio ofensivo, nº 8 na camisola rubro-negra do Olhanense. Foi ele que, já para lá dos 90, pôs justiça naquele marcador do José Arcanjo: um-zero ao Vizela.

Pensavam que eu ia falar dos 4-3? Não. Isso já lá vai. Isso foi a 31 de Agosto. Rezam as crónicas que foi uma grande injustiça, que ganhou o Sporting errado, que o de Olhão é que merecia, mas o que é que se vai fazer, deu 4-3 para o Covilhã.
São estas coisas (as vitórias à tangente, os Messis, os quatro a três) que atraem público para a modalidade.

Pensavam que eu ia falar dos 4-3? Não. Isso já lá vai. Isso foi a 31 de Agosto. Rezam as crónicas que foi uma grande injustiça, que ganhou o Sporting errado, que o de Olhão é que merecia, mas o que é que se vai fazer, deu 4-3 para o Covilhã.
São estas coisas (as vitórias à tangente, os Messis, os quatro a três) que atraem público para a modalidade.
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